quinta-feira, 8 de agosto de 2019

⤵De pai para pai: Quando a "ficha cai"

Pai e filha brincando no quarto (Foto: O jornalista Patrick Cruz, 40, com a filha, Helena, 2: “Moldei um pedaço do mundo à minha maneira” (Foto: Luiz Maximiano/Editora Globo)


De pai para pai: Quando a "ficha cai"

A paternidade é um processo que muitas vezes só ganha corpo meses depois da chegada do filho. Aqui, eu e outros pais falamos sobre o momento (ou momentos) em que “caiu a ficha”  Por Patrick Cruz 

Helena, minha filha, que completa 2 anos em setembro, tem suas bonecas, assim como brinca com carrinhos com formato de monstros e dinossauros – que eu nem lembro como vieram parar em nossa casa. Brinquedos que, em minha infância, teriam sido exclusividade dos meninos. Ela nos imita ao pegar seu paninho e espanar a casa, mas também gosta de correr atrás da bola para chutá-la e comemorar seu gol imaginário. Um dia, no café da manhã, eu a vi batucar na mesa com seus pequenos dedos indicadores, imitando a mania que tenho desde jovem de tocar em minha banda de rock mental. Era oficial: eu tinha trazido ao mundo minha própria air drummer.

Esse exercício livre de criatividade de minha pequena foi um dos momentos que me trouxeram a paternidade à consciência. Se, para as mulheres, os nove meses de gestação funcionam como uma espécie de treinamento para a maternidade, em que o parto demarca essa transição, para os homens, de um modo geral, é diferente. “Sem transformações aparentes no corpo ou um evento tão definitivo quanto o nascimento, ainda que eles participem mais do pré-natal hoje, cada um experimenta esse processo assimilando uma série de diferentes ‘cliques’”, diz a psicóloga Maiana Rappaport, da Casa Moara (SP). Eu não sei quando tive a sensação exata de “agora sou pai”. Não foi na primeira troca de fraldas nem no primeiro banho – quiçá a soma dessas e de outras experiências. Mas é certo que ver minha pequena baterista batucando com seus dedinhos, sorrindo como à espera de aprovação, deu o estalo de que eu havia moldado um pedaço do mundo à minha maneira.

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Acho que a percepção da paternidade para nós, homens, tem um pouco disso: a sensação de que, para além da chegada da criança, de fato mudamos algo na existência daquele pequeno novo ser. É como no caso vivido pelo fotógrafo Rafael Festa, 32. Em dezembro do ano passado, ele e a esposa, Tatiani Ziegler, 31, tomaram um susto. Já fazia mais de cinco meses que conviviam com Kauan, 10 anos, em regime de apadrinhamento afetivo, etapa que antecede a adoção de uma criança, em particular as maiores. Todo fim de semana o casal se deslocava de Governador Celso Ramos a Biguaçu, ambas na região da grande Florianópolis (SC), para buscar o menino na Casa Lar, uma instituição de abrigo para crianças. Naquele dia, Kauan disse que não queria ir com o casal. Rafael e Tatiani temeram que ele tivesse decidido não ser adotado, uma proposta feita por eles no mês anterior, já autorizada pela justiça. O gelo na espinha se dissolveu com a revelação do garoto, pouco depois. “Ele disse que iria ficar na Casa Lar na ocasião para poder se despedir de todo mundo, porque ele tinha decidido não voltar mais”, relembra Festa, orgulhoso.

Seis meses antes, Rafael e Kauan sequer se conheciam. Naquele momento, mesmo que ainda houvesse etapas burocráticas a cumprir, Kauan sentiu-se seguro para reconhecer que tinha achado uma família para chamar de sua – e Rafael, para se sentir pai. Ele fez um relato sobre a transição em seu perfil no Facebook, que viralizou. Talvez por mostrar que, de fato, pai é quem cria.

OK, as conversas com o bebê na barriga são momentos “fofos”, porém, essa conscientização não passa necessariamente pela gestação ou o parto. Para um pai, ver o filho jogar bola, cair (de preferência, ao brincar com ele), batucar na mesa ou copiar qualquer outro gesto que ele ensinou tornam a coisa toda mais palpável. No caso de Rafael, pouco importa que Kauan às vezes ainda o chame de “tio” ou que o processo da guarda definitiva esteja em andamento: ele construiu a ideia de paternidade ao decidir adotar o menino, seguido dos meses de convivência durante o apadrinhamento. Foram pequenos marcos pessoais, um dia de cada vez.

No dia a dia de helena não existem brincadeiras “de menino” ou “de menina” (Foto: Luiz Maximiano/Editora Globo)

NÃO BASTA SER PAI
Assumir tarefas que até outro dia não existiam pode ser um parto para muitos homens – com o perdão do trocadilho. A coisa toda fica mais azeda se a mãe adotar uma postura crítica. Não é reclamação à toa dos homens, a ciência já comprovou. Segundo uma pesquisa recente publicada no Journal of Child and Family Studies (Estados Unidos), quando a mãe cria uma barreira em torno da criança, assumindo tarefas por supor que o pai não as faz de maneira correta – do banho à troca de fralda –, a tendência é que muitos se sintam desestimulados a participar. “Além de essa postura se transformar em uma sobrecarga de responsabilidades para a própria mãe, ela pode ainda interferir na criação do vínculo entre filho e pai”, afirma a psicóloga Maiana. “Mas é importante frisar: esse é um caminho de mão dupla. O pai precisa ocupar esse espaço e não apenas esperar que seja dado a ele”, completa.

Para o bem geral de toda a família, é certo que eles estão assumindo esse lugar. Pesquisadores da Brigham Young University (Estados Unidos) publicaram neste ano os resultados de um estudo feito com 2.194 homens, com filhos com idades entre 2 e 18 anos, sobre como eles interagem com as crianças. “Descobrimos que os pais de hoje passam mais tempo, cuidam mais e são mais amorosos com seus filhos que em qualquer outra época”, diz Kevin Shafer, um dos autores da pesquisa.

Filha, Helena engatinhando em companhia do pai, Patrick (Foto: “As crianças de hoje estão descobrindo a vida em um mundo com pais mais atuantes”, diz Patrick (Foto: Luiz Maximiano/Editora Globo)

A participação mais efetiva deles tem crescido, como atesta o estudo  americano, mas é importante que a divisão de responsabilidades seja feita pelo casal da maneira mais harmônica e consensual possível. Por incrível que pareça, dividir tarefas por quantidade nem sempre é o melhor caminho. Não se trata, afinal, de simples matemática:  “dei o café da manhã, o almoço é seu”. “O mais importante, antes de qualquer coisa, é que pais e mães estejam abertos para o afeto. Cada um tem de assumir tarefas de acordo com o que pode dar e fazer. Não adianta criar demandas inatingíveis. Isso só vai gerar culpa”, diz o educador Marcelo Cunha Bueno, da escola Estilo de Aprender (SP) e autor do livro Sopa de Pai (Editora Passarinho). “O resultado disso é que se acaba educando não pelo amor, mas pelo ressentimento”, conclui.

Thiago  Queiroz, 36, autor do  site Paizinho, Vírgula!,  foi a  todas as consultas  do pré-natal durante as gestações de Dante e Gael, hoje com 5 e 3 anos, respectivamente (o casal agora espera uma menina, Maya). Embora seja um pai participativo, a certa altura sentiu que estava pisando na bola na divisão de responsabilidades. “Isso acontece porque, em primeiro lugar, a paternidade é algo abstrato. Até a criança aparecer, você só imagina as coisas, sem se dar conta do que está por vir”, afirma o pai, que acaba de lançar o livro Abrace seu Filho (Editora Belas Letras). Quando Dante chegou, Queiroz se envolveu com os cuidados do filho – até que a ficha caiu. “Não se trata apenas de cuidar de uma criança, mas da manutenção de um lar. Não fui criado com esse olhar. Eu era só um engenheiro nerd fã de videogame. Nunca brinquei de casinha”, diz.

Pai e filha brincando no quarto (Foto:  Patrick Cruz e a filha Helena 

A confissão de Queiroz mostra (ufa!) que não somos a tragédia que às vezes suspeitamos ser. “Embora seja uma experiência maravilhosa, está na hora de mostrarmos isso de um jeito mais real”, acredita. Para ele, é preciso “desromantizar” a paternidade. “Ser pai não é só fazer foto bonita para o Instagram”, completa. Parte do nosso trabalho, então, é quebrar esse ciclo. Algo que Dante e Gael têm aprendido desde cedo: eles ajudam a cuidar das plantas, brincam de cozinhar, levam as louças à pia após as refeições. Queiroz é um pai interessado e presente, mas admite que, sim, já gritou com as crianças. Estamos todos sujeitos, e está tudo bem.

Esse tipo de abordagem, de ensinar a meninos atividades que eram exclusivas de meninas, e vice-versa, é defendida por nomes como Ritxar Bacete, antropólogo espanhol especialista em igualdade de gênero. “O desafio deste século é construir um novo modelo social mais democrático, justo e igualitário”, afirmou ao jornal El País. “Para isso, é fundamental que os homens estejam dispostos a questionar o modelo tradicional de masculinidade, a renunciar aos privilégios do sistema patriarcal, a se libertar do peso de uma masculinidade mal entendida e a se comprometer, junto com as mulheres, de maneira ativa, na realização de um mundo melhor.”

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Dante e Gael cuidando da casa, Kauan no dia a dia com a nova família e Helena com seus dedos-baqueta estão descobrindo a vida em um mundo de pais mais atuantes. Ainda não chegamos ao equilíbrio ideal das responsabilidades de pais e mães, é verdade, mas estamos descobrindo a melhor paternidade possível nesse processo.

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Casados há 70 anos, idosos morrem de mãos dadas e emocionam familiares e amigos

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Quem relatou o momento da partida foi a própria filha, Amanda Platell, que é jornalista do Daily Mail. Norma já sofria há algum tempo com a doença de Alzheimer e, segundo os médicos, não sobreviveria até o Natal de 2018.  Continue lendo, clique aqui!






O número de recursos sobre casos de estupro de vulnerável no STJ cresceu cerca de 2.700% em cinco anos

Relações sexuais ou qualquer ato libidinoso entre adultos e menores de 14 anos é considerado estupro de vulnerável, independente de a vítima consentir. A decisão foi tomada pelo Superior Tribunal de Justiça de forma unânime, e passou a servir como jurisprudência para os tribunais de todo o Brasil. O julgamento é uma resposta a várias apelações semelhantes em todo o país, em processos de estupro de vulnerável,contrariando decisões que foram baseadas na ideia de consentimento das vítimas.
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Levantamento estudou relatos de mais de 120 mil de adolescentes americanos (Foto: Reprodução) 

De acordo com uma análise de dados feita ao longo de três anos pelo professor Russell B. Toomey, da Universidade do Arizona-Tucson (EUA), 51% das adolescentes que passaram a se identificar como homem relatam pelo menos uma tentativa de suicídio. 

O estudo Profiles of Student Life: Attitudes and Behaviors foi produzido pelo Search Institute – organização sem fins lucrativos focada em questões da juventude – e publicado na revista científica Pediatric News.  Continue lendo, clique aqui!






A 8ª TST condenou um hospital de Nova Lima (MG) por entender que a empregada deveria receber a remuneração em dobro 

O trabalho em feriado deve ser remunerado em dobro, mesmo que haja grande período de descanso para compensação. Essa foi a decisão da Justiça em uma ação movida por uma técnica de enfermagem, contratada em 2009, que afirmou ter trabalhado em vários feriados nacionais sem ter recebido o devido pagamento em dobro.
A 8ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) condenou um hospital de Nova Lima (MG) por entender que, apesar de os turnos serem de 12 horas e o período de descanso de 16 horas, a empregada deveria receber a remuneração em dobro do trabalho prestado em feriados, conforme assegura a jurisprudência do TST. Leia a matéria completa, Clique aqui!





Programa de Qualificação das Ações de Vigilância em Saúde - PQA-VS é um direito dos Agentes de Combate às Endemias

O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) decidiu em audiência de conciliação no dia 17/07 determinar o arresto de R$ 38 milhões das contas bancárias de titularidade do município do Rio de Janeiro. A ação foi movida pelo Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde do Município do Rio e mais oito sindicatos devido à demissão de 1.500 agentes comunitários que trabalhavam nos hospitais públicos da prefeitura geridos pelo Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas).
Os servidores reivindicam o pagamento dos salários e a apresentação dos Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho do pagamento das rescisões contratuais de todos os substituídos, que incluam salários, aviso prévio, 13º salário e demais direitos trabalhistas. Leia a matéria completa, Clique aqui!






 Milhares de Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias estão sendo demitidos pelo Brasil. Isto, de forma silenciosa.

Os Agentes de Saúde (ACS/ACE), as Demissões em Massa e a Caixa de Pandora

Atualmente os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE) estão passando por onda de demissões em massa. Essa onda não é novidade, embora ocorra silenciosamente.  Mas, por que o silêncio das entidades que representam essas categorias? O que está acontecendo para que essas demissões sejam mantidas em silêncio?

A Caixa de Pandora
Caixa de Pandora é um artefato da mitologia grega, tirada do mito da criação de Pandora, que supostamente foi a primeira mulher criada por Zeus. A "caixa" era na verdade um grande jarro dado a Pandora, que continha todos os males do mundo. Pandora abre o Jarro, deixando escapar todos os males do mundo.
No caso dos ACS/ACE,  a Caixa de Pandora representa as demissões em massa e as negligências de várias entidades representativas, nas várias esferas. Leia a matéria completa, Clique aqui!





A relatoria da Federalização dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias ficou com a Senadora Mailza Gomes

Conforme informações disponibilizadas no Canal da Federalização a atual Sugestão Legislativa 33/2019 já conta com uma relatoria. Conforme informações do Portal do Senado Federal.
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (Secretaria de Apoio à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa), fez a distribuição e a  Senadora Mailza Gomes (Acre) foi designada para emitir relatório. Leia a matéria completa, Clique aqui!





O PL 1802/19 acaba com a polêmica sobre a o vínculo duplo e garante o direito dos Agentes Comunitários e de Combate às endemias

A polêmica sobre a Legalidade da possibilidade dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias Acumularem caros Públicos está preste a se encerrar.
Projeto de Lei 1802/19, que está tramitando na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.
Na última quinta-feira (11), publicamos uma matéria descrevendo informações relevantes sobre a tramitação do Projeto.

Alguns detalhes sobre o PL 1802/2019
Já há entendimento de que as duas categorias possuem esse direito, inclusive, com parecer jurídico favorável à categoria. Leia a matéria completa, Clique aqui!


↪️ +VÍDEOS EM DESTAQUE

👉VÍDEO - Federalização: Sindicatos esclarecem ao ACS/ACE a importância da proposta Veja no Youtube, Clique aqui!  


👉VÍDEO - URGENTE: Desmascarada as mentiras sobre a Federalização. Veja direto no Youtube
Assista  a um dos 22 vídeos sobre a Federalização, clique aqui!

Fonte: Revista Crescer / Publicado no Jornal dos Agentes de Saúde do  Brasil em 08/08/2019, à 01h00.  





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