sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

↪️ Ministro Mandetta defende turno diferenciado para atendimento em postos de saúde

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta - Pedro Ladeira/Folhapress


Em discurso, Mandetta diz que chega ao cargo por ter compromisso com a família, fé e pátria

Ao assumir o cargo de ministro da Saúde, o médico ortopedista Luiz Henrique Mandetta disse que irá defender a criação de uma espécie de “terceiro turno” de funcionamento das unidades de saúde e uma reorganização da rede de atenção básica.

“Eu desafio nosso ministério a criar o terceiro turno de saúde na atenção básica”, disse. “O homem sai para trabalhar e o posto está fechado. A mãe fica trabalhando, volta 18h e o posto já fechou. É preciso que as unidades de saúde se adequem aos tempos modernos em que a mulher saiu para trabalhar, o homem saiu para trabalhar e os filhos ficaram sozinhos", disse.

Mandetta defendeu ainda maior controle da obrigatoriedade da vacinação. “Vamos transformar a carteira de vacinação. Não fazer dela um empecilho, mas um cartão da cidadania”, disse.

↪️ VÍDEO DA POSSE DO NOVO MINISTRO DA SAÚDE

👉VÍDEO -  Discurso de posse do Ministro da Saúde, LUIZ HENRIQUE MANDETTA 

Em discurso de cerca de 40 minutos, o novo ministro cumprimentou aliados e disse que só se chega ao cargo com “um compromisso muito grande com a família, com a fé e com a noção de pátria”.

É necessário nesse momento em que se inicia esse ciclo de trabalho dizer de onde vem o ministro, qual sua trajetória. Não se chega a cargo de tamanho de responsabilidade sem ter um compromisso muito grande com a família, com a fé, com o país, com a noção de pátria.”

Mandetta disse ainda que a saúde “não terá retrocesso” e que deve cumprir a Constituição, mas que poderá rever normas do setor.

Queremos e vamos cumprir um desafio constitucional. Saúde é um direito de todos e dever do Estado. Não tem retrocesso, não tem volta da nossa máxima constitucional. Mas não existem verdades absolutas a não ser as constitucionais. As infralegais temos e iremos discutir”, disse.

Segundo ele, em uma dessas revisões, a nova gestão pretende estimular a discussão sobre o conceito de “equidade” em saúde como forma de conter o impacto do aumento de ações judiciais que obrigam o governo a fornecer medicamentos de alto custo, por exemplo.

Vemos o conceito de integralidade rapidamente ser absorvido e inspirar as inúmeras ações judiciais, e o pilar da equidade é relativizado. E a equidade é onde o país tem que encontrar racionalidade para fazer mais para quem tem menos, não com arroubos de decisões individuais, que não respeitam o direito coletivo.”

Ainda de acordo com Mandetta, o novo governo deve ter como um dos pilares a defesa da carreira de estado para profissionais de saúde, a informatização de saúde e o combate ao sedentarismo e obesidade.

Segundo Mandetta, além da carreira de estado, o governo deve testar outras iniciativas para levar médicos ao interior, caso do uso das forças armadas, por exemplo.

O novo ministro fez ainda críticas ao que chamou de "municipalização" excessiva do SUS e disse ainda que deve rever o modelo de divisão dos distritos sanitários no país. Sem detalhar as mudanças, Mandetta disse que o governo deve escolher um estado para fazer testes de uma reestruturação na atenção básica.

A expectativa é que nos primeiros 100 dias de governo sejam anunciados mudanças na gestão da rede de hospitais federais do Rio de Janeiro e medidas para organizar a saúde em Roraima, que vive um surto de sarampo e aumento na entrada de venezuelanos.

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Ainda durante a cerimônia, Mandetta evitou citar o problema do subfinanciamento do SUS e defendeu redução de gastos na saúde. “Não dá para gastar dinheiro sem saber. Vamos atrás de cada centavo do Ministério da Saúde.”

Em discurso, o ministro defendeu ainda uma valorização das Santas Casas. Também fez um aceno às entidades médicas ao dizer que queria “construir pontes” com a medicina, “hoje muito afastada [do ministério]”.

Deputado federal pelo DEM por dois mandatos, Mandetta defendeu que haja uma valorização da política. “Sabemos que a política é o caminho de solução. Aqueles que negam a política estão negando a si mesmos e a busca por cidadania.”

Para Mandetta, Bolsonaro venceu as eleições sem detalhar o programa de governo, mas “focado em princípios, valores e conduta que calam fundo na alma do homem brasileiro”.

A defesa de um "compromisso com a família" já havia sido citada pelo ministro em entrevista à Folha nesta semana. Na ocasião, Mandetta afirmou que pretende voltar a estimular campanhas de prevenção contra o HIV, mas sem “ofender” as famílias. Ele não citou, porém, em quais casos poderia haver essa ofensa.

O médico Cássio Francisco Gonçalves durante visita à aposentada Isilda Florência Godinho Cuado, 75 anos, que sofre de hipertensão e dores nas pernas e tem dificuldades de se locomover. As visitas fazem parte do Programa Saúde da Famía, na zona sul da cidade, próximo à UBS Santa Catarina, no bairro do Jabaquara. Adriano Vizoni/Folhapress

Novo Ministro Médico ortopedista, com foco em pediatria, Mandetta já atuou no Hospital Militar e no Hospital Geral do Exército de Campo Grande. Também foi diretor da Santa Casa de Campo Grande e da Unimed do município.

Foi ainda secretário municipal de Saúde de Campo Grande, cargo que assumiu em 2005 e onde ficou até 2010, saindo para candidatar-se a deputado federal, cargo que ocupou até dezembro. Mandetta, no entanto, não se candidatou às eleições neste ano.

O ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta" Antes de ser escolhido para o ministério, o nome de Mandetta foi defendido por grupos próximos a Bolsonaro, como o novo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, além de membros da frente parlamentar da saúde na Câmara dos Deputados.


'PRIMEIRO PASSO

Ao transmitir o cargo, o ministro da Saúde na gestão de Michel Temer, Gilberto Occhi, disse que a gestão anterior "deu o primeiro passo" em algumas áreas, como o acordo com a indústria de alimentos para redução de açúcar e ações para reverter a queda na vacinação, mas que ainda há mudanças a serem feitas.

Entre elas, defendeu, estão mudanças no Mais Médicos. Segundo Occhi, o governo de Temer deu uma “resposta rápida” a saída de cubanos, mas o programa precisa passar por ajustes.

“Sabemos que precisamos rever o programa Mais Médicos, e isso está dentro das linhas que você tem defendido”, afirmou.

Para Occhi, a fala de Bolsonaro na cerimônia de posse ao citar sua recuperação da Santa Casa após ter sofrido um atentado à faca mostra que “todos dependem do SUS”.

"Do cidadão mais simples ao presidente da República, todos acabam passando pelo SUS. E a prova disso é o presidente ontem agradeceu a Deus e à Santa Casa de Juiz de Fora", disse.

A cerimônia de transmissão de cargo foi acompanhada por outros três ministros da gestão de Jair Bolsonaro, como Teresa Cristina (Agricultura), Osmar Terra (ministro da Cidadania, Esporte e Cultura) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

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Fonte Folhapress / Jornal dos Agentes de Saúde do  Brasil, Publicado em 11/01/2019, às 13h14.   





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