terça-feira, 20 de agosto de 2019

⤵Uma análise da saúde do Agente Comunitário de Saúde - Eu Cuido de Você, e Quem Cuida de Mim?

agentes comunitários de saúde tem um papel de destaque cada vez maior no que tange às políticas públicas de saúde aplicadas na Atenção Básica. 


Uma análise da saúde do Agente Comunitário de Saúde - Eu Cuido de Você, e Quem Cuida de Mim?

O agente comunitário de saúde é um profissional, que lida diretamente com o cuidado de usuários do sistema de saúde, atuando em práticas de prevenção, promoção e tratamento. Sua atuação envolve visitas domiciliares frequentes e acompanhamento da saúde das famílias assistidas. Esta proximidade, acentuada pelo fato de residir na mesma comunidade, enfrentar situações semelhantes e, até mesmo, compartilhar amigos ou familiares, propicia uma intimidade e envolvimento afetivos para os quais, nem sempre, o agente está preparado para manejar. Diante dessa situação, o presente trabalho buscou compreender o cotidiano deste profissional e identificar as influências de sua prática na própria saúde. Para tal, realizou-se uma pesquisa de campo com os próprios agentes, a qual permitiu verificar que esses profissionais consideram-se cuidadores, no sentido de terem responsabilidades sobre os usuários e por preocuparem-se com a saúde destes. Concluiu-se que os agentes vivenciam constrangimentos no trabalho decorrentes de pertencerem à mesma comunidade na qual desempenham seu papel profissional, e que as precariedades dos demais níveis do sistema de saúde são fonte de sofrimento adicional. Torna-se então necessário reconhecer a importância do agente de saúde na comunidade e as implicações do trabalho desenvolvido por este na própria saúde, oferecendo um suporte que propicie o aperfeiçoamento profissional e formas de expressão e elaboração do sofrimento psíquico, a fim de promover saúde neste agente cuidador, assim como, aprimorar o trabalho desenvolvido.

Denominado recentemente pelo Ministério da Saúde como Estratégia da Saúde da Família, o Programa Saúde da Família é um dos maiores avanços na história da Saúde Pública no Brasil, apoiada em diretrizes e princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo de grande importância no que tange a estimulação da participação ativa da comunidade na implementação de novas políticas públicas de saúde.

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A estratégia atua à favor da mudança da dialética da produção de cuidado em saúde, possibilitando a realização de um atendimento de forma integral e humanizada, valorizando os aspectos físicos, sociais e emocionais. O desejo de se estabelecer um modelo de atenção à saúde surge no trabalho em equipe, e no vínculo com as famílias assistidas, para que juntos possam se tornar responsáveis pela prevenção e promoção da saúde. Diante deste desejo, o cuidado passa a ser tomado como responsabilidade ou zelo, implicando uma relação de troca e solidariedade suficientes para desencadear a autonomia das pessoas.

Em dezembro de 1993 foi criado Programa de Saúde da Família, que surgiu nos moldes da chamada medicina de família, da década de 70, que fazia parte do Curso de Medicina e visava a um único objetivo: “necessidade de humanizar a medicina” (FIGUIREDO; TONINI, apud LARA 2010, p.24).

A Estratégia Saúde da Família é baseado em equipes multiprofissionais compostas no mínimo por um médico generalista, um enfermeiro (que acompanham e promovem a capacitação dos agentes comunitários de saúde), um auxiliar de enfermagem e quatro a seis agentes comunitários de saúde, dependendo do tamanho da área de abrangência. Podendo contar ainda com um dentista e um auxiliar de consultório dentário e um técnico em higiene dental.

Para que se pudesse atender melhor aos usuários, se fez necessário partir do pressuposto de que uma equipe de trabalhadores da saúde formada por um número menor de profissionais promoveria a criação de vínculo entre a comunidade e o Posto de Saúde da Família onde o usuário seria atendido. 

Sendo assim, essa equipe com número reduzido de profissionais passou a ser conhecida como equipe técnica e o usuário passou a ter identificação pelo número da sua família e as grandes áreas demográficas foram fragmentadas tornando-se microáreas, pois isto facilitaria o trabalho da equipe na hora em que fossem intervir para algumas melhorias.

Cada equipe de saúde da família é capacitada para reconhecer a realidade das famílias pelas quais é responsável, e para elaborar com a participação da comunidade, um plano local que vise enfrentar os determinantes do processo saúde/doença.

Visando um melhor funcionamento da equipe multiprofissional, o Ministério da Saúde determinou algumas atribuições comuns a todos os profissionais desta equipe:

Conhecer a realidade das famílias pelas quais são responsáveis, com ênfase nas suas características sociais;
Identificar os problemas e as situações de risco mais comuns aos quais aquela população está exposta;
Executar de acordo com a qualificação de cada profissional, os procedimentos de vigilância à saúde;
Valorizar a relação com o usuário e com a família, para a criação de vínculo de confiança, de afeto, de respeito;
Realizar visitas domiciliares de acordo com o planejamento;
Resolver os problemas de saúde no nível de atenção básica;
Coordenar, participar de e/ou organizar grupos de educação para a saúde.
Acredita-se que as unidades básicas sejam capazes de resolver 85% dos problemas de saúde das comunidades na qual está inserida, prestando atendimento de qualidade, evitando internações desnecessárias e melhorando a qualidade de vida da população. Apesar de ter surgido como um programa, ele escapa dos moldes frequente dos demais programas do Ministério da Saúde.

Não se trata de uma intervenção vertical e paralela às atividades do serviço de saúde, mas caracteriza-se como uma estratégia que possibilita a integração e promove a organização das atividades em um território definido com o propósito de enfrentar e resolver os problemas identificados. Devido a essas características, o PSF é denominado pelo Ministério da Saúde como Estratégia de Saúde da Família (LARA, 2010, p. 23).

Neste contexto surgem os agentes comunitários de saúde, que tem alcançado um papel de destaque cada vez maior no que tange às políticas públicas de saúde aplicadas na Atenção Básica. No início, tal profissão era desconhecida e o que atraía candidatos para essas vagas que se abriam, era apenas a possibilidade de um emprego. Percebem-se este contexto nestas falas:

“Eu não escolhi não, vi um papel colado no poste de um papel de um emprego e que havia uma inscrição e fui, mas não sabia nem do que se tratava” (ACS n°1 em entrevista a pesquisadora, 2012).

“Eu não sabia o que era PSF, mas vi o papel colado que tinha vaga pra um emprego e fui” (ACS n°2 em entrevista a pesquisadora, 2012).

Segundo Ferreira (2009) o crescimento dos programas em que o agente comunitário de saúde está inserido em todo o País, abriu oportunidades de emprego às populações mais carentes, tendo em vista que a implantação desses programas prioriza comunidades de baixa renda. Pode ser considerada hoje a maior categoria de trabalhadores do Sistema Único de Saúde, chegando a 246.130 agentes em todo o país (Brasil, 2011).

Dados fornecidos pelo Ministério da Saúde afirmam que o agente comunitário de saúde tem uma enorme contribuição para que as ações desenvolvidas pela equipe e governo cheguem até a comunidade. É considerado um “elo” que une comunidade e equipe de saúde.

Desse modo, o texto que ora se apresenta é resultado do desejo de ampliar a pesquisa realizada na monografia de conclusão de curso de graduação em Psicologia, a fim de divulgar o conhecimento produzido. O interesse no campo iniciou quando em 2011, a autora foi convocada para o cargo de Agente Comunitário de Saúde, da Estratégia de Saúde da Família do Município de Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro. Na época cursava a faculdade de Psicologia, por pertencimento e estudo na área, inquietava os discursos de colegas de trabalho sobre a atuação profissional e emoções experimentadas no cotidiano laboral.

O agente comunitário de saúde é um profissional com um campo de trabalho diferenciado dos demais profissionais de saúde, mas antes de tudo ele também é usuário deste sistema, o que pode induzi-lo a acreditar que por estar inserido na área da saúde, o seu acesso, no que tange a assistência à saúde, seja um pouco mais fácil e garantido. O que muitas das vezes não acontece, pois o mesmo sistema que tende a ser falido para alguns, é falido para todos que dele dependem.

Quando o indivíduo começa a exercer a função de agente comunitário de saúde, ele sai de uma identidade individual, adquirindo um papel atribuído pela comunidade onde mora e atua como o "detentor do saber" ou " solucionador de problemas". A partir daí, como todo ser humano, o agente comunitário de saúde não está livre de ter seus problemas, suas angústias, sofrimentos e ansiedades. Por estar inserido e morar na comunidade onde atua, partilha com esta, muitas das vezes, todas as suas enfermidades e momentos felizes que nela possam vir a existir.

A onipotência e a frustração permeiam a subjetividade de um agente social, que mantém profunda relação de pertença com seu espaço: o espaço em que vive é o mesmo onde atua, as pessoas da sua realidade social são as mesmas para quem dirige as suas ações de cuidado. (SPIRI, apud JARDIM; LANCMAN, 2009, p.124).

O ambiente de trabalho do agente comunitário de saúde pode influenciar diretamente na maneira como ele desenvolve os seus recursos psicológicos, físicos e sociais, e no modo como ele tira proveito desses recursos em sua habilidade de definir seus sentimentos.

As visitas domiciliares, principal instrumento de trabalho do agente comunitário de saúde, em algumas vezes podem ser marcadas por certas situações que podem vir a causar danos à saúde emocional deste profissional, pois ao visitar uma família é difícil separar o ser profissional do ser humano, especialmente por compartilharem vivências tão semelhantes.

Jardim e Lancman (2009), sustentam que o fato do agente comunitário de saúde pertencer à comunidade usuária do serviço, ou seja, possuir vínculo familiar e afetivo com estes pode vir a tornar-se um complicador para a vida do agente, levando-o a não conseguir muitas das vezes obter privacidade.

Segundo o Edital 001/2016 para o processo seletivo de agentes comunitários de saúde na cidade de Petrópolis, é necessário ser maior de dezoito anos, estado de boa saúde, ensino fundamental completo e ser morador há pelo menos dois anos da microárea onde irá atuar. Além de este último requisito citado ser uma exigência, o que está destacado no artigo 6° da Lei n° 11350/2006, de 05 de outubro de 2006 (Brasil, 2006), isto tende a facilitar a atuação junto à população, pois se espera que ele conheça pessoalmente cada usuário, saiba onde moram, quem são os parentes, qual a história de vida e de saúde, suscitando neste profissional um sentimento de “pertença”, permitindo-lhe assim, um domínio maior para falar daquela comunidade e daquelas famílias.

Após ser aprovado, o candidato é  submetido ao curso introdutório, com carga horária de 40 horas, sem remuneração. Ao final do curso é aplicada uma prova com questões objetivas e uma questão dissertativa sobre estudo de caso de uma família em situação de risco, abordando conceitos apresentados durante o curso e também um trabalho prático de preenchimento de formulários para se avaliar a aptidão do pretendente em relação ao trabalho a ser desenvolvido.

Através da atuação do agente comunitário de saúde, os profissionais da Estratégia de Saúde da Família têm a chance de entrar nos ambientes familiares, chegando a lugares antes não acessíveis promovendo assim uma maior interação com a comunidade. A área territorial coberta pelo Programa Saúde da Família é delimitada, mas com o passar do tempo, percebe-se que essas características vão mudando com a atuação do homem sobre o meio ambiente, o que pode vir a contribuir no processo saúde-doença da população.

Segundo os entrevistados, os usuários parecem não entender os limites de atuação do agente comunitário de saúde, isto faz com que a experiência laboral extrapole os limites entre o espaço de trabalho e o lazer, devido ao relacionamento intenso e o vínculo estabelecido com as pessoas da comunidade ou do bairro no qual se trabalha. Diante disto, constata-se que estes profissionais não se desprendem por completo das atividades do seu trabalho, porque sempre tem alguém lhe solicitando algo. Conforme as próprias palavras e/ou classificação dos agentes comunitários de saúde sobre o fato de morar no mesmo local de trabalho, destacam-se algumas opiniões em relação este aspecto:

“Eu não vejo como um problema. Eu sou agente de saúde quase 24 horas, mas pra mim isso não é um problema não.” (ACS n°3, em entrevista a pesquisadora, 2012).

“O paciente liga pra casa da gente fim de semana, a qualquer hora” (ACS n°1, em entrevista a pesquisadora, 2012).

“Pergunta as coisas a gente no ponto do ônibus, liga pra casa da gente” (ACS n°2, em entrevista a pesquisadora, 2012).

“A vantagem é que você ganha muito tempo já estando na comunidade. A desvantagem é que qualquer dor de barriga é no agente que eles vão. Por morar na área você não tem mais horário” (ACS n°4, em entrevista a pesquisadora, 2012).

Ao residir na mesma comunidade na qual trabalha, o agente estabelece relações diversas: relações profissionais e pessoais, relações de agente de saúde e de vizinho, relações de quem orienta quanto aos cuidados com a saúde, e de quem frequenta os mesmos espaços sociais que os usuários (JARDIM; LACMAN, 2009, p .130).

Entretanto, por vezes, essa relação é sentida como fonte de pressão diante de situações que ultrapassam a capacidade de enfrentamento e resolução por parte do agente comunitário de saúde. Além disso, essa relação os imbui de sentimentos de exposição pública, com consequente perda de privacidade.

“Acho que tem hora que a gente fica sem liberdade. Por exemplo, a gente quer tirar uma folga e fica com medo das pessoas acharem que você está fazendo algo que não tem direito. Fico com medo de eles pensarem que estou à toa” (ACS n°6, em entrevista a pesquisadora, 2012).

Esse contato contínuo com o usuário, fora de dias ou horários específicos de trabalho, foi notado por alguns entrevistados como algo que interfere em suas vidas, no que diz respeito há dias e horários fora da jornada de trabalho, para outros, no entanto, foi percebido como uma consequência natural do trabalho, que não acarreta em incômodo algum, reforçando a incorporação da responsabilidade pelo cuidar.

Problema
Tendo em vista que o principal instrumento de trabalho do agente comunitário de saúde é a visita domiciliar mensal para o acolhimento e “cuidado” com as famílias, muitas das vezes, essas atividades transcendem aquilo que é inerente a este profissional. Em algumas situações ele tende a ser visto como um profissional da saúde mental, capaz de amenizar todo e qualquer sofrimento emocional que passa aquela família. Em outros ele é chamado a “apagar incêndios” de situações conflitantes, ou ainda é tratado como um solucionador de problemas, sendo visto como aquele que tem a solução pra tudo e qualquer coisa.

Sabe-se que o agente passa por um curso introdutório antes de dar início a suas atividades no posto de saúde e na comunidade, mas este curso apenas prepara o agente para a função e não para as questões afetivas que possam vir acometê-lo em consequência desta função.

Considerando que a atuação do agente comunitário de saúde promove o envolvimento afetivo com os usuários do serviço e, por se tratar frequentemente de um cuidado com o sofrimento físico e emocional do outro, a prática profissional pode desencadear o sofrimento do próprio agente? 

O grupo estudado em 2012, foram alguns Agentes Comunitários de Saúde do Município de Petrópolis, localizado no interior do Estado do Rio de Janeiro. Foram usadas, bibliografias pertinentes ao assunto, buscas em sites especializados, artigos, periódicos, e instrumentos de coletas de dados como entrevistas.

Foram contatados para participação nesta pesquisa 15 agentes de saúde do município de Petrópolis, com mais de 18 meses de atuação profissional, mas somente 7 aceitaram o convite. Todos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. As entrevistas foram realizadas pela pesquisadora em 2012, gravadas em áudio e posteriormente transcritas para análise. Foi utilizado o modelo de entrevista semi-estruturada com 14 questões. Para se preservar o anonimato, os participantes foram identificados com a sigla “ACS” seguido de um número de identificação de 1 a 7.

A abordagem da pesquisa foi qualitativa, por considerá-la mais apropriada para o estudo e entendimento do discurso das práticas do agente comunitário de saúde. Teixeira (2008 apud Rocha 2011, p.26) diz que “na pesquisa qualitativa, o pesquisador, procura reduzir a distância entre a teoria e os dados, entre o contexto e a ação”.

Mediante a análise dos questionários respondidos pelos agentes comunitários de saúde, foi possível verificar o conteúdo, considerando as dimensões qualitativas da pesquisa optou-se por estabelecer categorias a partir da análise das respostas.

PERGUNTAS

CATEGORIA DE ANÁLISES

1. Há quanto tempo atua como ACS?

2. Como escolheu a profissão?

3. Passou por alguma preparação profissional para atuar como ACS?

4. Quais atividades desenvolve em seu trabalho?

5. Para você qual a importância do ACS?

Percepção da sua prática profissional.

6. Como é a relação entre os profissionais do PSF?

7. Como é sua relação com a comunidade?

Relação com usuários e equipe do Posto de Saúde da Família?

8. Quais as implicações de residir e trabalhar na mesma comunidade?

9. Como acredita que o agente de saúde é visto pela comunidade?

10. Como você se sente após um dia de trabalho?

11. Há alguma experiência em seu trabalho que o marcou profundamente?

12. Para você, o agente de saúde pode ser considerado cuidador?

Efeitos da prática profissional na saúde do  ACS.

13. Você identifica algo que possa ser modificado ou mesmo melhorado no seu trabalho?

14. Tem alguma informação que considera relevante?

Possíveis intervenções que podem ser pensadas, visando contribuir e estimular o surgimento de novas políticas públicas e trabalhos na área psicossocial.

Quadro de Categorização de Análises 

Espera-se com esse trabalho:

Colaborar com a produção de conhecimento relevante para sua área de atuação profissional.

Oferecer informações para as equipes de saúde, para os enfermeiros que são responsáveis pela formação dos agentes para atuarem junto à comunidade, para os próprios agentes de saúde, para uma práxis reflexiva sobre sua atividade profissional e aos gestores da rede pública de saúde quanto a uma possível implantação de programas relativos à saúde mental deste trabalhador.
Adquirir conhecimento para no futuro transformar este artigo em pesquisa para o mestrado

O Programa de Agentes Comunitários de Saúde - PACS
No início da década de 90, verificou-se um grande índice de mortalidade materno-infantil e falta de informação sobre meio ambiente, água potável e saneamento em comunidades pobres do nordeste brasileiro, principalmente no Estado do Ceará. Diante desta problemática, os órgãos públicos do Estado do Ceará decidiram empregar seis mil mulheres como agentes de saúde para realizar atividades simples e importantes como encaminhar as crianças para vacinação, cadastrar as gestantes e, entre outras, ensinar as famílias a utilizar o soro oral.

Baseado neste modelo de intervenção surge o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), um programa de característica inovadora, que quando bem desenvolvido, tende a estimular a participação de agentes sociais na implementação das políticas públicas de saúde.

O PACS foi criado em junho de 1991, pelo Ministério da Saúde, tendo como foco a prevenção e promoção de saúde como instrumento para uma melhor qualidade de vida da população, culminando no Programa de Saúde da Família.

Este programa é estimado como um dos maiores avanços na história da Saúde Pública no Brasil, para a estruturação dos serviços e das práticas da atenção básica, apoiada em diretrizes e princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo de grande importância no que tange estimular a participação ativa da comunidade na construção de novas políticas públicas de saúde. “(...) Caracteriza-se como uma estratégia que possibilita a integração e promove a organização das atividades em um território definido com o propósito de enfrentar e resolver os problemas identificados” (LARA, 2010, p. 23).

A visita domiciliar é a atividade e o principal instrumento para o processo de trabalho do agente comunitário de saúde, é através dela que ele vai poder fazer o cadastramento e acompanhamento das famílias e, principalmente, o trabalho educativo, orientando as pessoas como evitar as doenças e cuidar melhor de sua saúde. Estas visitas fazem parte da rotina de trabalho destes profissionais.

Ao pedir licença para entrar na casa de uma família o agente comunitário de saúde não entra apenas em um espaço físico, mas naquilo que para o usuário é mais particular, a sua privacidade, e tudo o que esse espaço representa.

Neste ambiente mora alguém, com seus códigos de sobrevivência, suas crenças, sua cultura e sua própria história, consequentemente este profissional mesmo sem perceber, também entra na intimidade desta pessoa.

De acordo com os relatos que se seguem, percebe-se o quanto esta profissão favorece o vínculo entre comunidade e Posto de Saúde:

“O agente é um “elo” entre a rede e a comunidade. Às vezes só uma informação de direito, que a pessoa não tem a gente informa. Isso passa até mais responsabilidade para que a pessoa vá ao posto” (ACS n°5, em entrevista a pesquisadora, 2012).

“Somos de suma importância, pois nós fazemos o trabalho de ponta. Sem nosso trabalho nada se realiza no posto de saúde”. (ACS n°4, em entrevista a pesquisadora, 2012).

De acordo com esses relatos, se faz valer a contribuição de Albuquerque (2000) quando realizou sua pesquisa com o objetivo de identificar as representações sociais dos agentes comunitários de saúde e observou que eles se representam e são representados como "elos, ligação" entre a comunidade e o serviço de saúde. Por isso são associados à eficiência e eficácia do serviço de saúde como um todo.

Em algumas situações, no que se refere à visita domiciliar, o agente comunitário de saúde parece ser visto como um profissional da “saúde mental”, capaz de amenizar todo e qualquer sofrimento emocional que passa aquela família, como diz um dos entrevistados: “As vezes eu saio de manhã e me deparo com situações onde a pessoa é tão carente e precisa de alguém só para ouvi-lo” (ACS n°4, em entrevista a pesquisadora, 2012).

No manual do agente comunitário de saúde é destacada a importância desse contato: “Muitas vezes o ACS pode ser a melhor companhia de um idoso ou de uma pessoa deprimida sem extrapolar os limites de suas atribuições” (Brasil, 2009, p. 46).

As visitas domiciliares algumas vezes podem ser marcadas por certas situações que podem vir a causar danos à saúde emocional deste profissional, pois ao visitar uma família, é difícil separar o ser profissional do ser humano, especialmente por compartilharem vivências tão semelhantes. Todavia, o que se percebe em relação aos agentes comunitários de saúde, que é este lado humano que muitas das vezes fica marcado com acontecimentos que dificilmente são esquecidos.

Evidenciou-se durante a pesquisa, que os agentes comunitários de saúde vivenciam a mesma realidade no que tange ao acesso aos serviços de saúde que os seus usuários. Eles frequentemente têm a necessidade de fazer exames simples e de alta complexidade, encontram dificuldades em marcar consultas com outros especialistas, sendo assim este profissional “entende a situação porque a vive”.

Eu Cuido de Você e Quem Cuida de Mim? Uma Análise da Saúde do Agente Comunitário de Saúde 
A palavra cuidar, segundo o dicionário de etimologia, deriva do latim cura, que se escrevia coera e era usado em condições de amor e de amizade, expressando uma atitude de cuidado, zelo. A partir de então que o cuidar em saúde é mais que realizar uma tarefa técnica, implica respeito, intimidade, acolhimento, é tentar fazer para o outro mais do que aquilo que ele espera.

“Cuidar é mais do que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais do que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro” (BOFF, 2011, p.33).

O cuidado muitas das vezes acontece pela disposição da capacidade humana de cuidar, tornando-se uma resposta a todo descuido que advém na atualidade. Contudo, o cuidado pode ser sustentado e cultivado, por meio dele o ser humano tende a ser capaz de ter sua dignidade resgatada. As ações realizadas no cuidado mudam, dependendo das situações onde ele ocorre e com o tipo de vínculo estabelecido, englobando atos e comportamentos diferentes, como é mencionado na fala do entrevistado ao considerar o agente comunitário de saúde como um cuidador:

“Sim porque ele esta todo mês na casa da pessoa para fazer a visita domiciliar e querer saber da situação da pessoa, como problema de saúde, alguma coisa que o agente pode estar ajudando” (ACS n°7, em entrevista a pesquisadora, 2012).

No cotidiano do agente comunitário de saúde, o cuidar é feito nas ações de educação em saúde individuais ou coletivas, propiciando para que o mesmo venha atuar como um “ajudador”, para que os usuários aprendam a se cuidar, no que diz respeito a sua saúde e saúde de seus familiares. Algumas falas nos mostram a importância do cuidado que é empregado nas práticas de saúde: “[...] nestes oito anos eu consegui mudar o jeito deles verem o medicamento e a atividade física. Alguns começaram até a caminhar, em algumas vezes nem que seja descendo um ponto antes” (ACS n°3, em entrevista a pesquisadora, 2012).

A maioria dos participantes, comentou ter se inserido na profissão de forma não planejada, sem ter um conhecimento aprofundado sobre a atuação. Os motivos para a escolha da profissão estiveram mais relacionados à necessidade do trabalho do que da própria vontade. Em relação a estes aspectos, destacaram-se algumas justificativas: “A profissão que me escolheu em um momento que eu estava precisando de trabalho” (ACS n°3, em entrevista a pesquisadora, 2012).

“Eu estava desempregado. Mas veio a calhar, é um serviço acabei me identificando dentro da profissão” (ACS n°7 em entrevista a pesquisadora, 2012).

O fato da escolha da profissão não ter sido feita previamente, não impediu que os entrevistados se mostrassem seduzidos por suas atividades após terem ingressado. Percebe-se então que “a produção de cuidado proposta num contexto social tão complexo como o comunitário suscita a necessidade de recrutar trabalhadores com domínio de saberes e práticas diferentes das produzidas pelas instituições de educação que formam para o setor saúde” (QUEIROZ; LIMA, 2012, p. 260).

Através dos depoimentos dos agentes comunitários de saúde, percebe-se que o seu trabalho na maioria das vezes não acontece conforme a sua vontade, o que pode  causar frustração, pois existe uma necessidade de querer dar conta de toda a demanda. Dos sete profissionais, três disseram sentir-se muito cansado após um dia de trabalho. Esses aspectos aparecem no discurso dos profissionais em relação ao sentimento depois de um dia de trabalho: “Cansada e às vezes com raiva, por não conseguir ajudar” (ACS n°1, em entrevista a pesquisadora, 2012).

“Quando as coisas dão certo me sinto bem, quando não, frustrado” (ACS n°2, em entrevista a pesquisadora, 2012).

 “Quando faço algo que depende de mim eu me sinto muito bem, mas quando inclui a intersetorialidade ai complica. Me sinto‟realmente frustrado” (ACS n°3, em entrevista a pesquisadora, 2012).

Porém, paralelo a este pensamento, eles se dão conta que isto não é possível, por causa das suas limitações e por causa da dependência a outros setores que existe no processo do seu trabalho, surgindo um grande conflito entre o desejo (situação subjetiva) e a impossibilidade imposta pela realidade (situação objetiva).

De certa forma, observa-se que no processo de trabalho o agente comunitário de saúde tem liberdade para administrar e organizar o exercício das atividades no seu local de trabalho (por causa da flexibilidade para organizar o seu horário, quem vai visitar como vai desenvolver as atividades, etc…). Por outro lado, não possuem controle sobre este processo quando o paciente é encaminhado, sentindo-se impotente em relação à sequência do seu trabalho, porque o resultado positivo não depende somente do agente comunitário de saúde.

Em seu trabalho, dependendo da demanda, o agente comunitário de saúde precisa dos outros para executá-lo; em relação a isto se sente sozinho, porque segundo eles a maior parte dos casos não recebe um respaldo da rede. As atribuições desta profissão prevêem que o agente comunitário de saúde deve identificar situações de risco e fazer encaminhamento, o pressuposto é que o trabalho seja realizado de forma coletiva (em rede), mas o mesmo sistema não está preparado para dar sequência a este processo de assistência. Neste sentido, Silva e Dalmaso (2002, p.198) destacam que:

Da operacionalização de uma política de Estado que privilegia a solidariedade, a intersetorialidade, o apoio social, a promoção da saúde, enfim. A não identificação desse esforço como política pública corre o risco de descaracterizar como trabalho justamente as ações e interações que dão suporte àqueles instrumentos de transformação social”.

Não se pode deixar de mencionar também o esgotamento físico e psicológico que aparecem depois de certo tempo de atividades, sendo que, na maioria das vezes o próprio profissional não percebe o grau do seu desgaste, por terem se acostumado com a rotina de trabalho, como percebido nas falas abaixo: “Bem cansada, exausta, mas também realizada” (ACS n°4, em entrevista a pesquisadora, 2012), relato que se repetiu em outras duas entrevistas.

Segundo Theisen (2004), os fatores de sofrimento e adoecimentos, num primeiro momento, não são visíveis porque eles estão subjacentes a alguns valores e crenças socialmente aceitos como naturais. Segundo a pesquisadora, os riscos aos quais as ACS se expõem estão produzindo efeitos a longo prazo, porque de imediato são invisíveis, provocando desgaste de forma cumulativa.

Outro ponto relevante é o fato do agente comunitário de saúde no cotidiano laboral se deparar com várias enfermidades e a morte. Sendo que, em muitos casos, estes profissionais manifestaram sentimentos de tristeza, principalmente diante daqueles quadros mais graves. As dificuldades e os sentimentos de esmorecimento diante de tais quadros podem ser observados quando os entrevistados se referem há alguma experiência no trabalho que o marcou profundamente: “Lembro-me de um rapaz que estava com uma doença grave e desistiu do tratamento. Ele sabia que ainda havia uma chance de se curar, mas mesmo assim ele desistiu. Isto me marcou muito” (ACS n°3, em entrevista a pesquisadora, 2012).

“O que me marcou foi ver uma criança ali com a mãe completamente largada, sem alimento, sem vacina, quando cheguei em casa eu só chorava, chorava... fiquei abalada, não consegui separar meu lado profissional. Procurei a Assistente Social, mas até ela conseguir fazer alguma coisa. Ajuda demorou e a criança acabou se salvando por ela mesma...” (ACS n°5, em entrevista a pesquisadora, 2012).

“Pra mim foi trabalhar na tragédia da chuva, lembro até hoje” (ACS n°2, em entrevista a pesquisadora, 2012).

“Tive uma paciente no estágio terminal de câncer, e que eu procurava visitá-la quase todo dia, pois achava que minha presença confortava ela. Quando ela morreu, pra mim foi um baque, eu senti como se tivesse perdendo alguém da minha família” (ACS n°6, em entrevista a pesquisadora, 2012).

Segundo Campos (2007, p.34) “lidar com o sofrimento implica, muitas vezes reviver momentos pessoais de sofrimento”. Implica se identificar com a pessoa que sofre e sofrer junto com ela, ou seja, conviver com o sofrimento gera sofrimento.

Através destes discursos, percebe-se que estas situações vividas por este “facilitador” provocam sentimentos de frustração e impotência diante das limitações inerente à função de agente comunitário de saúde. Estes sentimentos são próprios das profissões ditas sociais (profissões das áreas da saúde, educação e segurança), onde os profissionais trabalham direta e constantemente em contato com outras pessoas que exigem muita atenção, dedicação, responsabilidade e cuidado permanente.

Para Siqueira Junior, Siqueira e Gonçalves (2006), o trabalhador de enfermagem, e neste caso o ACS, sofre porque está muito próximo ao sofrimento. E ainda, o trabalhador em saúde lida com o limite humano, com a impotência, com a evidência de que não são deuses, lidam com morte, a doença e a dor (BARROS, apud Lopes 2009, p.60).

Em contrapartida as essas situações citadas, o agente comunitário de saúde muitas vezes fica exposto a várias situações constrangedoras, o que faz com ele relevem várias situações para que o vínculo com a comunidade não seja quebrado. Alguns deles se depararam com episódios que de alguma maneira parece mexer com o seu lado emocional. Como disse este entrevistado:

“Teve uma família que me maltratou, não quis minha visita, mas agora ela retornou e me autorizou a fazer o cadastro dela. Tem coisa que a gente tem que relevar, por causa da educação e do vínculo” (ACS n°7, em entrevista a pesquisadora, 2012).

Percebe-se que neste caso, que mesmo diante de certas situações, há a necessidade do vínculo precisar ser mantido, mesmo que isso venha a causar um desconforto neste profissional. No que diz respeito ao cuidado, como atenção e zelo, a definição de cuidador também pode ser aplicada ao agente comunitário de saúde, pois a maioria dos entrevistados se considera um cuidador, no sentido de ter responsabilidade sobre os usuários e por se preocuparem com a saúde destes. Como expressado abaixo:

“Com certeza, pois a gente cuida o tempo todo, até daqueles que não são da nossa área. Quando nos perguntam alguma coisa a gente sempre responde” (ACS n°3, em entrevista a pesquisadora, 2012).

“Até certo ponto sim, dependendo de como ele trabalha ele tem aquela preocupação em saber como está o idoso e a criança. A gente cuida sim, pois a gente se sente responsável” (ACS n°5, em entrevista a pesquisadora, 2012).

A partir da afirmativa dos agentes comunitários de saúde, o cuidado realizado por eles pode vir a ter uma exigência afetiva maior, no que tange ao fato destes morarem no local, conhecerem toda a comunidade e terem vínculos intensos com as pessoas.

Isto vem ao encontro do que é colocado por Boff (2011, p.91) que concluiu que: “O cuidado somente surge quando a existência de alguém tem importância pra mim. Passo então a dedicar-me a ele; disponho-me a participar de seu destino, de suas buscas, de seus sofrimentos e de seus sucessos, enfim de sua vida”.

Isto poderá fazer com que eles venham a desenvolver tanto o sentimento de cobrança, como de afeto muito grande por todos. Eugênio Campos (2007) considera que não se pode afirmar que o profissional de saúde existe e é movido pelo desejo de cuidar. Que seria mais correto dizer que é isso que socialmente se espera dele.

Porém, no que diz respeito ao seu trabalho, este vínculo afetivo é fundamental para promover o bem-estar do usuário. Mas para este profissional o investimento afetivo torna-se perigoso e contraditório, porque ele investe toda sua energia afetiva e isto nem sempre é garantia de existir retorno, caso seja isso que ele espere.

“Eu quero dizer que não existe um “cuidador absoluto”, ou seja, nem sempre se colocar no lugar do cuidador significa o efetivo desejo de cuidar, muito menos a plena possibilidade de fazê-lo. Pelo contrário, ás vezes o que realmente motiva aquela ação é o desejo de ser ajudado. Em outras ocasiões, o desejo de se beneficiar com a ajuda oferecida” (Campos, 2007, p. 38).

O vínculo entre agentes comunitários de saúde e comunidade é percebido como principal motivação na realização de seu trabalho. Através deste, fica mais fácil para o profissional conseguir aproximar-se do usuário. Percebe-se uma existência de um vínculo bastante forte dos agentes comunitários de saúde com a comunidade, fato que permeou todas as entrevistas. No entanto, foi notado durante a entrevista que estes trabalhadores parecem interpretar as respostas da comunidade através de sentimentos, e percebem o que a comunidade necessita, transmitindo confiança numa relação positiva e afetiva construída diariamente.

Com o passar dos tempos o entendimento sobre saúde e doença foram se modificando, devendo-se levar em conta a interação do homem com o seu ambiente físico e social, condições de trabalho, da distribuição de renda da sociedade onde vive, e nas suas relações pessoais.

O Ministério da Saúde definiu que a Atenção Básica deve ser a porta de entrada preferencial do SUS, sendo uma das prioridades para reorganização do modelo de saúde, no que diz respeito a práticas preventivas, educativas e curativas, privilegiando principalmente os grupos mais vulneráveis com maior risco de adoecer e morrer, tendo como foco a Estratégia de Saúde da Família (ESF).

O agente comunitário de saúde tem uma atuação importantíssima, Ele é o grande facilitador para a comunicação entre a equipe de saúde e a comunidade. Seu trabalho não se limita apenas em ações prescritas pelo posto de saúde da família, mas inclui também ações de mobilização da população em busca de melhoria para as comunidades.

Sua proximidade com a intimidade do usuário e da comunidade se faz na visita domiciliar, e traz como resultado o contato com a intimidade do usuário. As visitas domiciliares em algumas vezes podem ser marcadas por certas situações que podem vir a causar danos à saúde emocional deste profissional, que cuida de todos, mas parece não ter quem cuide dele.

Por se considerar um cuidador, como todo ser enquanto condição humana, também é um sujeito propenso à doença, ao desânimo, ao cansaço, pois pode ser que haja momentos na vida do cuidador em que o cuidar torna-se dificultado por outros setores, desencadeando assim sentimentos de raiva e frustração.

Consideram-se como “elo” entre o Posto de saúde e a comunidade, mas esta definição de “elo” é muito imprecisa. A ideia implícita no discurso é de mediação, ou seja, de que o agente tanto pertence à equipe, no que tange a planejamento de ações, quanto à comunidade, no que diz respeito ao não discernimento dos usuários em colocar limites em suas abordagens a qualquer hora, ou a nem um dos dois, no que diz respeito à dificuldade de interação com a intersetorialidade.

Mas apesar dos contratempos, ficou evidenciado que seu trabalho veio a favorecer a comunidade, e que o vínculo construído com a mesma é muito forte, a ponto deste profissional se sentir um membro da “família”.

O que se avaliou como preocupante nos relatos dos entrevistados foram os acontecimentos que marcaram este profissional durante o trabalho, e sua constante exposição com o sofrimento do outro, seja ele de ordem físico, social ou mental. Essa exposição a longo prazo pode vir acometê-los, desencadeando doenças, haja vista que não é a função de agente comunitário de saúde que gera sofrimento, mas sim suas condições de trabalho. Por isso se ressalta a necessidade de se oferecer atenção a estes trabalhadores, a fim de harmonizar o cuidado em saúde correspondente à população, às famílias e às comunidades. Por isso, se crê que cabem mais pesquisas em relação a este assunto.

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↪️ VÍDEO EM DESTAQUE

👉VÍDEO - URGENTE: Dra. Elane declara que a categoria perdeu a Aposentadoria Especial e aponta onde foi o erro. Veja direto no Youtube!



A mãe obrigou seu menino saudável a ver 320 médicos e a passar por 13 cirurgias, incluindo transplante de pulmão

Uma mãe submeteu seu menino saudável a 13 cirurgias extensas, inclusive um transplante de pulmão! Ela também obrigou o filho a passar por 320 médicos ao longo de seus oito anos de vida e o manteve em uma cadeira de rodas!

Kaylene Bowen, 35 anos, de Dallas nos Estados Unidos foi presa e se declarou culpada por ter submetido seu filho a uma série de procedimentos dolorosos e desnecessários. Ela agora aguarda o julgamento que ocorrerá em outubro deste ano.






Presidente do Sindicato Estadual dos Agentes Comunitários de Saúde e de Endemias, Francisco Oliveira

O presidente do Sindicato Estadual dos Agentes Comunitários de Saúde e de Endemias (Piauí), Francisco Oliveira ganhou uma ação movida contra uma colega, identificada como Ana Ferreira, após a mesma ter deferido vários xingamentos contra o presidente nas redes sociais.

De acordo com o advogado Dr. Jefferson Francisco Falcão de Carvalho Marcos, o episodio aconteceu em um grupo de WhatsApp depois que o presidente comunicou que estava lançando seu nome para candidato a deputado federal.







O drama vivido por Rozi e demais pessoas, assistidas por ela, nos chama a atenção pela situação de extrema pobreza com a qual convive.

A imagem e o drama vivido pela agente comunitária de saúde Rozi (nome alterado para evitar exposição desnecessária),  ganhou destaque no microblog da ONG (Organização Não Governamental) Médicos Sem Fronteiras.

Médicos Sem Fronteiras (MSF) é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias.

A ACS Rozi trabalha no projeto contra o HIV (sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana) com trabalhadoras do sexo no Malaui (África). Ela havia se tornado trabalhadora do sexo em 2002, depois que um divórcio a deixou com dois filhos para sustentar sozinha.  Leia a matéria completa!






Simplicidade e garra, marca o perfil da ACS Giane Simões 

Em meios a tantas dificuldades e embaraços, ainda assim, há aquelas pessoas que superam as adversidades momentâneas e ainda conseguem motivar aos demais colegas a "pegar uma carona agradável nessa onda." Essa é uma definição que pode ser classificada como lúdica para classificar a Agente Comunitária de Saúde Giane Simões
O próprio perfil profissional de Giane a classifica, apresentando a sua garra, confira:

Uma Agente Comunitário de Saúde de relevante atuação na Prefeitura de Belém (Pará), graduou-se em  serviço social (bacharelado) e se especializou em Gestão Hospitalar.
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“Meu sonho é enviar 500 crianças (para a escola) em todas as dez províncias do país até o final do ano 2020 (...), disse “Tanya” Muzinda. Foto: Zimbabwe.com

Tanyaradzwa “Tanya” Muzinda, sensação do Motocross do Zimbábue, na África, pagou as taxas escolares para 40 meninas e 5 meninos no seu país.

Ela doou suas economias para a escola primária Chinamano Council em Epworth, 20 km a sudeste da capital Harare e agora a jovem de 14 anos quer pagar as taxas de mais 500 crianças do país.

Meu sonho é enviar 500 crianças (para a escola) em todas as dez províncias do país até o final do ano 2020 pela Graça de Deus e espero que este sonho seja realizável”, disse.
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Juiz atendendo idoso em casa - Foto: Aline Caetano/TJ-GO

Se a pessoa doente não pode ir ao Tribunal de Justiça, o juiz vai até ela! Foi o que aconteceu em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia.

O juiz Joviano Carneiro Neto, do Tribunal de Justiça de Goiás, foi até a casa de José Antonio de Paula, de 62 anos, para fazer uma audiência sobre pedido de aposentadoria. E deu ganho de causa ao idoso.
Ele pedia aposentadoria rural por idade e como está doente – com câncer no rim e no fígado – não tinha como se deslocar até o fórum da cidade. 
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 Osvaldo Ribas, agente comunitário de saúde, foi assassinado covardemente

O agente comunitário de saúde, identificado como Osvaldo Ribas, de 57 anos, morreu na tarde da quinta-feira (8) após se envolver numa briga com "um amigo," no bairro Los Angeles, em Campo Grande (MS).

Conforme a polícia, um homem e a vítima bebiam em um bar, localizado na Rua Engenheira Paulo Frontin, quando se desentenderam. Osvaldo foi agredido pelo sujeito e, em seguida, o atropelou com um veículo e ainda o arrastou por alguns metros. Leia a matéria completaClique aqui!







Um homem desabafou após não querer o bebê que teve por meio de uma barriga de aluguel

“Contratei uma barriga de aluguel, mas agora não quero ficar com o bebê”

Um casal está gerando grande polêmica ao se recusarem a ficar com o bebê por causa de um erro da clínica de fertilização

Um casal está gerando grande polêmica ao não querer ficar com o bebê que tiveram após anos tentando engravidar. Em um post feito na rede social Reddit, o pai explicou que sua esposa de 43 anos não podia mais engravidar após ter sofrido diversos abortos espontâneos. Leia a matéria completa, Clique aqui!







Modelo realizava desintoxicação após "passar dias na noitada" Reprodução

Janna Rasskazova teria morrido em decorrência da incompatibilidade de medicamentos administrados por seu médico narcologista. Nayara Fernandes, do R7

A modelo, DJ e ex-coelhinha da Playboy Janna Rasskazova, de 29 anos, morreu na última segunda (12), em Moscou, enquanto realizava um tratamento de desintoxicação caseira, após "passar vários dias seguidos na noitada". A informação é do jornal russo Moskovsky Komsomolets.  Leia a matéria completa, Clique aqui!







Vapes são proibidos pela Anvisa desde 2009

Fumar cigarro eletrônico por 10 minutos equivale a mais de 1 maço

Médico pneumologista alerta que excesso de nicotina em curto período de tempo pode causar arritmia cardíaca, infarto, convulsões e até morte. Fernando Mellis, do R7

Os cigarros eletrônicos, também conhecidos como vapes, são proibidos no Brasil, mas podem ser facilmente comprados em lojas online nacionais. Muitas das substâncias usadas nesses dispositivos têm um teor de nicotina que pode ser fatal.
Leia a matéria completaClique aqui!







👉VÍDEO -  De um lado o aposentado Victor Coella e de outro o juiz Frank Caprio.Veja direto no Youtube

Um juiz justo é o que todos esperam e foi o que fez o Franck Caprio que viralizou com um vídeo gravado em um tribunal americano.

O vídeo faz parte de um programa de televisão famoso nos EUA, Caught in Providence, que transmite os julgamentos reais.
Francesco Caprio, conhecido como Frank Caprio, é o principal juiz municipal em Providence, Rhode Island e ex-presidente do Conselho de Governadores de Rhode Island, nos Estados Unidos. Leia a matéria completaClique aqui!







👉VÍDEO -  Extinção dos Agentes de endemias: Os trabalhadores querem entende o por quê do corte de um setor tão necessário. Veja direto no Youtube 

Manaus/AM - Um grupo de agentes de endemias estado na frente da sede do Governo e exigem uma reunião com o governador Wilson Lima, para discutir uma suposta extinção da categoria solicitada pela Fundação de Vigilância e Saúde do Estado (FVS/AM) através de um documento.
Desde a última quinta-feira da semana passada, os agentes paralisaram as atividades e se juntaram as demais classes que lutam contra a lei de congelamento de salários sancionada por Lima. A suspensão das atividades foi aderida em pelo menos 35 municípios no interior. Leia a matéria completa, Clique aqui!







Apesar de ficarem em desvantagem em alguns aspectos, mantêm-se firmes, dedicados e alcançam grandes conquistas.

O estudo é uma das coisas mais importantes na vida de uma pessoa. Muitas vezes não damos valor ao acesso à educação, mas as pessoas que crescem sem a oportunidade de estudar têm opções muito limitadas do que fazer com as próprias vidas, já que as boas oportunidades de crescimento favorecem aqueles que estudam.
É cada vez maior o número de adultos ou de idosos que buscam as escolas e universidades. Essas pessoas, que por algum motivo foram privadas do estudo durante a juventude, têm ânsia por conhecimento, pela melhora de vida, e entendem que um diploma abre muitas portas. Leia a matéria completa, Clique aqui!   







A agente destaque dessa semana é a ACE Cláudia Almeida, coordenadora da CPI da Saúde nos Municípios e Federalização dos Saúde do Brasil

Nessa semana, que se inicia hoje (11/08), a Agente de Saúde em Destaque da Semana é a Agente de Combate às Endemias de Macaé (RJ), Cláudia Almeida. Ela, que tornou-se um dos maiores nomes da representação dos ACS e ACE de todo o Brasil, justamente por ser uma trabalhadora como todos os 337 mil ACS/ACE do país.

Contexto inédito
Cláudia Almeida é uma das raras lideranças nacionais que não é sindicalista, portanto, não recebe nenhum benefício como tal, ou seja, trabalha no campo como todos os Agentes de saúde (ACS/ACE) do país.
agente Cláudia  se destacou a nível nacional por usar as redes sociais para esclarecer à categoria sobre seus direitos. Especificamente em área que as representações sindicais geralmente são omissa, em sua grande maioria. Os sindicatos e sindicalistas que tem feito a tarefa de casa, esclarecendo o direito da categoria, jamais se se sentirá constrangidos pelo trabalho desempenhado pela Bacharela em Direito de Macaé.  Leia a matéria completa, Clique aqui!   







Essas pessoas lindas são agentes de transformação da Clínica da Família Erivaldo Fernandes Nóbrega 

Vamos conhecer um pouquinho da rotina de uma Agente Comunitária de Saúde da Clínica da Família Erivaldo Fernandes Nóbrega! Livian Merlino nos permitirá entender melhor a dinâmica de seus colegas, por meio de uma perspectiva que ela mesmo descreveu. Vamos lá?

Vamos à fala da ACS Livian Merlino (com uma mensagem maravilhosa, que ela publicou em ser perfil e nos marcou para termos acesso)
Meu bate-papo hoje é com você, usuário (a) da clínica da família ou simplesmente, você, que ainda não usou a clínica! Leia a matéria completa, Clique aqui!







👉VÍDEO - Participação de diretores da CONACS na 16ª Conferência Nacional de Saúde. Veja direto no Youtube

Diretores da CONACS - Confederação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde teve participação na conferência, assim como Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias de diversos estados brasileiros. 
Segundo a diretora Ilda Angélica, foi possível aprovar "todas as propostas e moções que trazem segurança não só para nossa categoria mais principalmente aos usuários, através das aprovação grande será o fortalecimento do nosso SUS. Mais uma vez mostramos nossa força! Obrigado a todos que participaram deste momento de fortalecimento da nossa democracia, principalmente aos companheiros ACS e ACE de todos os estados, concluiu Ilda. Leia a matéria completa, Clique aqui!




Ministros Dias Toffoli, Edson Fachin, Marco Aurélio e Gilmar Mendes, votaram a favor da derrubada do Reajuste do Reajuste do Piso Nacional dos Agentes de Saúde

CNM - Confederação Nacional de Municípios, entidade que representam os 5.570 municípios do país, tem dado as cartas e mantido a categoria em situação de elevado potencial de precariedade, inclusive, sem garantir o pagamento do valor enviado pelo FNS - Fundo Nacional de Saúde. 
Como é de conhecimento geral, ela foi derrotada pela 2ª vez no que diz respeito a votação da AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (ADI nº 6103) no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo último julgamento ocorreu ontem (06/08), no Plenário Virtual da instituição, exatamente como este Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil havia antecipado.
Leia a matéria completa, Clique aqui!






A 8ª TST condenou um hospital de Nova Lima (MG) por entender que a empregada deveria receber a remuneração em dobro 

O trabalho em feriado deve ser remunerado em dobro, mesmo que haja grande período de descanso para compensação. Essa foi a decisão da Justiça em uma ação movida por uma técnica de enfermagem, contratada em 2009, que afirmou ter trabalhado em vários feriados nacionais sem ter recebido o devido pagamento em dobro.
A 8ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) condenou um hospital de Nova Lima (MG) por entender que, apesar de os turnos serem de 12 horas e o período de descanso de 16 horas, a empregada deveria receber a remuneração em dobro do trabalho prestado em feriados, conforme assegura a jurisprudência do TST. Leia a matéria completa, Clique aqui!





Programa de Qualificação das Ações de Vigilância em Saúde - PQA-VS é um direito dos Agentes de Combate às Endemias

O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) decidiu em audiência de conciliação no dia 17/07 determinar o arresto de R$ 38 milhões das contas bancárias de titularidade do município do Rio de Janeiro. A ação foi movida pelo Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde do Município do Rio e mais oito sindicatos devido à demissão de 1.500 agentes comunitários que trabalhavam nos hospitais públicos da prefeitura geridos pelo Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas).
Os servidores reivindicam o pagamento dos salários e a apresentação dos Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho do pagamento das rescisões contratuais de todos os substituídos, que incluam salários, aviso prévio, 13º salário e demais direitos trabalhistas. Leia a matéria completa, Clique aqui!






 Milhares de Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias estão sendo demitidos pelo Brasil. Isto, de forma silenciosa.

Os Agentes de Saúde (ACS/ACE), as Demissões em Massa e a Caixa de Pandora

Atualmente os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE) estão passando por onda de demissões em massa. Essa onda não é novidade, embora ocorra silenciosamente.  Mas, por que o silêncio das entidades que representam essas categorias? O que está acontecendo para que essas demissões sejam mantidas em silêncio?

A Caixa de Pandora
Caixa de Pandora é um artefato da mitologia grega, tirada do mito da criação de Pandora, que supostamente foi a primeira mulher criada por Zeus. A "caixa" era na verdade um grande jarro dado a Pandora, que continha todos os males do mundo. Pandora abre o Jarro, deixando escapar todos os males do mundo.
No caso dos ACS/ACE,  a Caixa de Pandora representa as demissões em massa e as negligências de várias entidades representativas, nas várias esferas. Leia a matéria completa, Clique aqui!





A relatoria da Federalização dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias ficou com a Senadora Mailza Gomes

Conforme informações disponibilizadas no Canal da Federalização a atual Sugestão Legislativa 33/2019 já conta com uma relatoria. Conforme informações do Portal do Senado Federal.
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (Secretaria de Apoio à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa), fez a distribuição e a  Senadora Mailza Gomes (Acre) foi designada para emitir relatório. Leia a matéria completa, Clique aqui!





O PL 1802/19 acaba com a polêmica sobre a o vínculo duplo e garante o direito dos Agentes Comunitários e de Combate às endemias

A polêmica sobre a Legalidade da possibilidade dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias Acumularem caros Públicos está preste a se encerrar.
Projeto de Lei 1802/19, que está tramitando na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.
Na última quinta-feira (11), publicamos uma matéria descrevendo informações relevantes sobre a tramitação do Projeto.

Alguns detalhes sobre o PL 1802/2019
Já há entendimento de que as duas categorias possuem esse direito, inclusive, com parecer jurídico favorável à categoria. Leia a matéria completa, Clique aqui!


↪️ +VÍDEOS EM DESTAQUE


👉VÍDEO - Radionovela valoriza agentes de saúde e consolida importância do SUS. Veja direto no Youtube!

👉VÍDEO -  Dra. Elane fala sobre Indenização, Riscos de Campo para os ACS/ACE e outras questões de grande importância. Veja direto no Youtube

Fontepsicologado.com.br Jornal dos Agentes de Saúde do  Brasilpublicado em 
20/08/2019, às 19h50 





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