sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Aprovada “droga viva”, que curou mais de 80% dos pacientes com câncer

A descoberta foi um marco para a medicina. O médico Stephan Grupp, responsável por acompanhar a primeira criança tratada com o CAR-T, no Hospital das Crianças na Filadélfia, comentou os efeitos do tratamento em entrevista à BBC. 

Medicamento responsável por tratar e restruturar o sistema imunológico de pessoas com câncer está entrando para a história da medicina. O CAR-T, conhecido também como ‘droga viva’, foi aprovado para uso nos EUA e é produzido a partir da extração de leucócitos (glóbulos brancos) do sangue de quem tem leucemia. Ele é feito sob medida para casos e pacientes específicos. O tratamento já foi utilizado em 63 pessoas com algum tipo de câncer sanguíneo, das quais 83% ficaram livres da doença. Segundo a companhia farmacêutica Novartis, responsável pela fabricação do medicamento, a droga custa US$ 475 mil, o equivalente a R$ 1,5 milhão.

O CAR-T age ativando e reprogramando geneticamente os glóbulos brancos, fazendo com que estes sejam capazes de identificar o tumor e destruí-lo. Logo após a modificação genética, os leucócitos são postos novamente no corpo do paciente e, ao encontrarem as células cancerígenas, eles se multiplicam para exterminá-las. A terapia da “droga viva” vai para o mercado com o nome “Kymriah” e será usada no combate à leucemia linfoblástica aguda. Vale ressaltar que o medicamento é aprovado apenas para pacientes que não reagiram positivamente aos tratamentos convencionais, como cirurgias e quimioterapia, por exemplo.

O médico Stephan Grupp, responsável por acompanhar a primeira criança tratada com o CAR-T, no Hospital das Crianças na Filadélfia, comentou os efeitos do tratamento em entrevista à BBC. “Foi extremamente emocionante. Nunca tínhamos visto algo assim antes”, afirmou. Apesar dos benefícios da terapia, ela não está isenta de riscos, pois pode provocar a síndrome da liberação de citocinas, que consiste na proliferação desmedida das células modificadas pelo corpo.

A descoberta foi um marco para a medicina e, apesar de o medicamento tratar apenas a leucemia, David Maloney, diretor médico de imunoterapia celular do Centro de Pesquisa de Câncer Fred Hutchinson, está otimista para novas invenções. “Acreditamos que este é apenas o primeiro de vários novos tratamentos com base em imunoterapia para uma variedade de tipos de câncer”, disse à BBC. O estímulo do sistema imunológico é uma estratégia comum nos tratamentos modernos contra o câncer e a medicina entende que, em breve, o tecnologia usada no CAR-T será aplicada a outros tipos de câncer.

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Autorizada a reprodução dessa matéria desde que as fontes indicadas abaixo sejam citadas.

Fonte curiosamente.diariodepernambuco.com.br / Publicado no Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil em 01/09/17, às 12h23.  

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