sábado, 1 de abril de 2017

Morre Tereza Ramos, um ícone da luta dos Agentes de Saúde do Brasil

Tereza Ramos, Presidente da CONACS por três mandatos, agente comunitária em Recife desde 1978, era uma pessoa de grande simplicidade e sabia como ninguém exercer a singularidade de uma autêntica liderança

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Um dos maiores símbolos da luta por melhores condições de vida dos Agentes de Saúde do Brasil, Tereza Ramos, morreu no último dia 31/03/17, no Recife, após lutar contra um câncer.  A cerimônia de despedida à Tereza ocorreu no Cemitério de Casa Amarela, Recife/PE, por volta das 12h00, horário local. 

Presidente da Confederação dos Agentes Comunitários de Saúde - CONACS, por três mandatosagente comunitária em Recife desde 1978, era uma pessoa de grande simplicidade e sabia como ninguém exercer a singularidade de uma autêntica liderança.

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"Ser ACS é, antes de tudo, ser alguém que se identifica em todos os sentidos com a sua própria comunidade, principalmente na cultura, linguagem e costumes. Precisa gostar do trabalho. Gostar principalmente de aprender e repassar as informações, entender que ninguém nasce com o destino de morrer ainda criança..." Tereza Ramos em 20 de março de 2013. 

Uma das marcas deixada por ela foi o fortalecimento da luta pela Emenda 51 (Emenda Constitucional n° 51, de 14 de Fevereiro de 2006), um projeto que objetivava a  regulamentação das atividades de todos os agentes de saúde do país, por meio de processo seletivo público, além de definir o regime jurídico dos agentes. O Projeto de Lei 007/06, como a princípio era denominado, apesar de ser um projeto que nasceu no Recife, desacreditado por muitos, teve o apoio de Tereza Ramos. A pesar de ser uma proposta apresentada por um sindicato que trilhava caminhos totalmente avesso ao da confederação, Tereza abraçou a ideia e se empenhou para que a proposta se tornasse uma realidade nacional.

"Pagar pela insalubridade seria uma saída, mas prefiro ter a minha saúde a ter dinheiro. Porque o dinheiro não vai me manter viva nem sã. Porém, se não tiver outro jeito, que pelo menos tenha o dinheiro. Imagine a situação de um PSF, dando um exemplo concreto. Num PSF, a equipe está há um ano sem médico. Todos os encaminhamentos médicos de determinado município - incluindo a ida a um especialista - para o usuário ser atendido são feitos pelo médico. Os medicamentos de hipertensão, diabetes e até mesmo anticoncepcionais eram feitos pela enfermeira. Recentemente, as enfermeiras foram proibidas de fazer isso. Imagine a situação que fica um agente de saúde nisso. Porque é aquilo que eu falei. O médico e o enfermeiro, no final da tarde, vão embora. Sexta-feira à noite acabou. Agora, eu fico lá ouvindo isso. Se eu entrar no botequim, a turma está falando disso. Se eu for para a festa, a turma vai estar falando disso. Se eu chegar no forró, a turma vai me perguntar sobre isso. Você pira. Eu conheço um agente que pirou. Ele ligou para a secretaria e disse: "arranje um advogado para me soltar porque estou entrando na farmácia e dando remédio para os meus hipertensos e diabéticos," Tereza Ramos.

Em homenagem a Tereza Ramos o Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil traz algumas matérias, cuja protagonista não poderia ser outra pessoa, confira:

Que o Eterno Deus conforte o coração de todos os familiares e amigos dessa infante da luta nacional!

Essa é a mensagem de que, em nome de todos que fazem a MNAS - Mobilização Nacional dos Agentes de Saúde, deixamos em homenagem à memória de Tereza Ramos.

Fonte: Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil / Publicado em 31/03/17, às 23h27. Atualizado em 02/04/17, às 21h37.

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