segunda-feira, 30 de novembro de 2015

DESCASO DO HOMEM COM A NATUREZA

195 países estarão reunidos na capital francesa para, até o dia 11, reacender o debate em torno dos avisos (cada vez mais assustadores) de que a saúde do planeta inspira grandes cuidados. 

Ninguém precisa recorrer ao vasto acervo de imagens gravadas ao redor do mundo para ter certeza de que o fim pode estar mesmo muito próximo. Cada um, de acordo com a região em que habita, já sofreu, em maior ou menor escala, os reflexos das transformações climáticas: calor ou frio demais, enchentes, estiagens, ar irrespirável. Tudo fruto do desequilíbrio causado pela intervenção do homem na natureza, que conta com a eterna complacência do poder público.

A cobrança das devidas responsabilidades poderia acontecer abertamente e vir acompanhada de sanções, nos encontros mundiais sobre a saúde do clima, mas em cada um celebram-se apenas intenções, não assumem-se compromissos. O Brasil, por exemplo, sediou dois deles (a Rio 92 e a Rio +20, esta última em 2012), mas em lugar de fazer o dever de casa preferiu ignorar a mais básica das lições: a natureza cobra um preço muito alto quando se cansa de não ser levada a sério.

Veja também:
Você sabia que o óleo de cozinha é um dos produtos domésticos mais danosos ao #meioambiente?
Usar benzodiazepínicos, como o Rivotril, por mais de três meses aumenta risco de demência
O paradoxo do nosso tempo
'Coram Nobis' – antes tarde do que nunca?
R$ 100 mil: Câmara paga por pareceres copiados da internet

Nesta segunda-feira, 195 países estarão reunidos na capital francesa para, até o dia 11, reacender o debate em torno dos avisos (cada vez mais assustadores) de que a saúde do planeta inspira grandes cuidados. As imagens se encarregarão de mapear o tamanho da doença – degelo nos Andes e no Himalaia, desaparecimento da neve do Monte Quilca, calor na Europa, incêndios na Austrália e nos Estados Unidos, a ilha indiana de Loachara desaparecendo pela elevação do nível do mar … – mas o que importa, outra vez, é arrancar de todas as nações participantes o compromisso de cada uma fazer a sua parte.

Diferentemente da COP de Copenhague (2009), a expectativa é de que os chefes de estado se mostrem mais conscientes em relação às urgências e dispostos a rever os modelos de desenvolvimento econômico. Isto implicaria na criação de novos processos não agressivos ao ecossistema, que responderiam evitando, por exemplo, a elevação da temperatura em dois graus, até o fim deste século. Tarefa complicada para a COP 21, sobretudo quando se sabe que nações mais desenvolvidas são as mais resistentes a reconhecer o passivo ambiental, além do quanto os processos de produção nos padrões atuais contribuem para aumentá-lo.

Os ataques e males causados aos maiores biomas (mata atlântica, cerrado, caatinga), que reduziram enormemente de tamanho desde a realização da Rio 92, já seriam suficientes para deixar o Brasil em saia justa, na COP 21, mas a lama que se engoliu aquele pedaço de Mariana (MG), também reveladora do nível de indigência moral do país, acabou por atrair olhares de desconfiança em relação às promessas levadas na mala da delegação brasileira. A primeira, que é capaz de fazer brilhar os olhos de qualquer ambientalista: pôr fim, em 15 anos, ao desmatamento ilegal na Amazônia. Não pareceria um desafio do tamanho da floresta se o Palácio do Planalto não atravessasse décadas sendo ocupado por mandatários que pensam meio ambiente como assunto da alçada de românticos, sonhadores e ficcionistas.

Não é. O medo de que os recursos naturais desapareçam e as futuras gerações amarguem o preço de toda a crueldade, negligência e equívoco com que eles foram tratados está nos olhos da gente mais simples (e sábia). No Agreste, os mais velhos já têm dúvida sobre se vai “voltar a chover no mundo”.

Foto: Igor Morski - Fonte: Diario de Pernambuco







Deixe o seu comentário no espaço abaixo!



https://lh3.googleusercontent.com/-15TawoL0n0U/UPBtbni031I/AAAAAAAAHbw/K2NBNp4QKoM/s675/facebook-comments.gif