quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Habilitados para o resgate: Agentes de saúde receberam a missão de tentar salvar as vidas de crianças indígenas no Acre

 Jiza Lopes, coordenadora do Distrito Especial Indígena (Dsei) (Foto: Aline Nascimento/G1)

Seis crianças indígenas morrem com suspeita de rotavírus no interior do AC
 
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Dsei diz que Saúde local está mobilizada para evitar mais óbitos.
Mais de 70% da população do município é composta por indígenas.

Seis crianças indígenas, das etnias Kulina e Kaxinawa, com idades entre 11 meses e cinco anos, morreram em dois municípios do Acre em menos de um mês, sendo duas de Manoel Urbano e quatro de Santa Rosa do Purus. As crianças apresentavam sintomas como diarreia e vômito. A suspeita, segundo o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), é que elas tenham morrido de rotavírus.

De acordo com a coordenadora do Dsei, Jiza Lopes, das seis crianças que morreram, três não foram atendidas no hospital, porque os pais se recursaram a levar as crianças até a cidade para serem medicadas. A coordenadora explica que em cada aldeia tem um Agente de Saúde Indígena (AIS), e que eles são responsáveis por levar essas crianças para a unidade de Saúde mais próxima, caso apresentem qualquer sintoma de doença.

"As crianças que chegaram até o hospital, foram atendidas pelo médico, mas algumas delas já chegaram bastante debilitadas, muito fracas e como nossos indígenas têm um déficit nutricional muito grande, quando são acometidas de diarreia ou gripe rapidamente desidratam e acabam vindo a óbito. Geralmente os pais indígenas não permitem que os AIS levem os filhos para o hospital, por causa de sua crença, por acreditarem que elas vão se curar lá na aldeia mesmo", contou a coordenadora.

O Dsei é responsável por 80 aldeias que estão distribuídas em quatro polos base dentro do estado
, localizados em Sena Madureira, Santa Rosa do Purus, Assis Brasil e Manoel Urbano. Segundo Jiza, nem todas as aldeias têm rádio para se comunicar com os hospitais, mas os agentes de saúde têm barcos, combustível e medicamentos para atender as emengências das comunidades.

"O Dsei é responsável por sete municípios: Santa Rosa do Purus, Assis Brasil, Manoel Urbano, Sena Madureira, Boca do Acre (AM), Pauini (AM), e Extrema, em Rondônia. No total, são mais de 100 aldeias, sendo 80 só aqui do Acre. Todas as aldeias têm um agente de saúde, eles são treinados e capacitados para estarem trabalhando nas aldeias, têm total condição de identificar uma criança com diarréia ou vômito", disse.

 Jiza falou também que os óbitos ainda não são confirmados como sendo rotavírus e que os testes feitos no município estão sendo encaminhados para a capital para assegurar a real causa da morte dos indígenas.

"Nos testes rápidos tivemos a confirmação de rotavírus nos óbitos, mas, geralmente, esses tipos de testes podem dar alguma alteração. Então, para termos totalmente a certeza encaminhamos para o Laboratório Central de Rio Branco (Lacen) para termos a confirmação", explicou

Para a coordenadora, todo ano há casos de epidemia de diarreia e vômito entre os indígenas, por conta da cheia das águas do Rio Acre. Para evitar mais óbitos, Jiza explica que todos os agentes de saúde já estão instruídos a encaminharem para a cidade mais próxima as crianças que apresentarem esses sintomas.

"Esses problemas começam a aparecer no período de final da seca e início da cheia do rio, mas nós ainda estamos no período de seca e começou a aparecer crianças com diarreia antes do período esperado. A orientação passada é que toda criança que tiver apresentando vômito ou diarreia que eles [agente] tragam essas crianças para a cidade, nós já ficamos em alerta", finalizou.

Ação mobilizadora
Na quarta-feira (17) a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), junto com o Dsei enviaram para o município de Santa Rosa, uma equipe formada de enfermeiros, técnicos em enfermagem e nutricionistas, para reconhecer e evitar mais casos do roatvírus entre os indígenas. Além dos insumos, a equipe leva material médico-hospitalar, para ajudar no tratamento dos índios que apresentarem sintomas da doença.

A previsão é a que os agentes de saúde passes mais de  20 dias nas comunidades indígenas, para inciar o tratamento com as crianças atingidas pela doença. Além da Sesai e representantes do governo, os agentes contarão com o apoio de Exército Brasileiro para adentrar na aldeias.


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Fonte: g1.globo.com/ac/acre