quinta-feira, 17 de abril de 2014

Agentes comunitários Participam de Capacitação sobre a Primeira infância e o futuro das comunidades ribeirinhas

                       Virgílio Viana, Superintendente Geral da Fundação Amazonas Sustentável

Por Virgílio Viana, Superintendente Geral da Fundação Amazonas Sustentável – virgilioviana.artigo@gmail.com

Um dos principais condicionantes do desenvolvimento humano é o período entre a gestação e os primeiros seis anos de vida. É nessa época que ocorre a maior parte do desenvolvimento do cérebro. A mensagem das pesquisas médicas é clara: crianças bem alimentadas, que recebem carinho dos pais e estímulos ao aprendizado tendem a ter mais sucesso profissional e felicidade quando adultos. Ou seja, os estímulos adequados são fundamentais para estabelecer os alicerces das suas aquisições futuras.

Pesquisas apontam para um sério problema de desnutrição infantil no Brasil. Diante disso, o governo federal criou a Agenda para intensificação da Atenção Nutricional à Desnutrição Infantil (ANDI), criada, em 18 de outubro de 2012, pela Portaria N° 2.387. Na Amazônia, 14 municípios que apresentaram elevados índices de desnutrição infantil e baixo peso para idade em crianças menores de 5 anos. O critério para adesão à Agenda da Andi ocorreu em municípios com menos de 150 mil habitantes, que possuíam o índice de 10% de desnutrição entre crianças de 0 a 5 anos.

Foi realizado um estudo por meio de uma parceria entre a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Ministério da Saúde, Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas, Instituto de Desenvolvimento Social e Fundação Bernard VAN LEER, com o apoio de pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e do Programa Primeira Infância Melhor (PIM) do Rio Grande do Sul – referência nacional de excelência. A amostra envolveu 19 comunidades e 570 famílias, na margem direita do Rio Negro, municípios de Iranduba, Novo Airão e Manacapuru. O estudo encontrou uma realidade preocupante nas comunidades ribeirinhas.

50% das crianças de 3 a 6 anos não brincam com os seus pais; 22% das crianças de 0 a 6 meses não recebem o devido aleitamento materno; 45% das crianças nunca foram ao dentista e 22% das crianças não têm cartão de vacinação atualizado. Crianças de 0 a 3 meses tiveram, em uma escala de 0 a 10, nota 1 na capacidade de comunicação, nota 2 na capacidade cognitiva e nota 1 na capacidade sócioafetiva. Os agentes comunitários de saúde nunca tinham recebido capacitação para o trabalho com a primeira infância.

Entre setembro de 2013 e março de 2014, foram realizadas quatro capacitações para 16 agentes comunitários de saúde e 3 supervisores do município da Estratégia Saúde da Família (ESF). Além do treinamento técnico, os participantes receberam um kit contendo mochila, boné, caderneta da criança, maleta infância, balança, fita métrica, aparelho de pressão, material didático da Unicef e o guia prático do agente comunitário. Os resultados foram animadores: despertaram um enorme entusiasmo nos agentes, que passaram a realizar uma sequência estruturada de 93 visitas domiciliares desde o início da gravidez até os 6 anos de idade. Em cada visita, são acompanhados os principais indicadores de desenvolvimento infantil. A autoestima e o respeito desses profissionais tiveram um salto qualitativo.

Esse projeto já apresenta suas primeiras lições. Primeiro, é possível dizer que já temos um modelo de atendimento à primeira infância adaptado à realidade ribeirinha da Amazônia. Entretanto, é necessário avaliar e aprimorar essa metodologia. Segundo, ficou clara a importância das parcerias envolvendo instituições não governamentais, órgãos de governo e instituições de pesquisa. Essas parcerias foram essenciais para os avanços alcançados.

O futuro das comunidades ribeirinhas depende do nível de desenvolvimento das crianças desde o início da gravidez até os 6 anos de idade. Esse tema deve receber atenção especial de todos aqueles que se preocupam com o futuro do Amazonas e da floresta.



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