segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

MNAS Manifesta a sua solidariedade à família do Cinegrafista da Band, atingido por um rojão durante manifestações no RJ

Cinegrafista Santiago Ilídio Andrade sendo socorrido

Manifestamos a nossa solidariedade ao cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Ilídio Andrade, atingido por rojão num protesto contra o preço do transporte no Rio. Em nossa visão, esse tipo de ação apenas empobrece e vitima a nossa sociedade. Somos favoráveis as manifestações de reivindicações, nas ruas, contudo, não identificamos o que possa justificar as ações violentas de alguns indivíduos, pontuou Samuel Camêlo, coordenador nacional da MNAS - Mobilização Nacional dos Agentes de Saúde. O que identificamos, na verdade, é um atentando contra a democracia, concluiu Camêlo.

O momento exato em que o cinegrafista da Band é atingido em protesto no Rio (Fotos: Agência O Globo). Notem que nem mesmo após ser atingido o profissional não largou o seu equipamento de trabalho.

Matéria vinculada pelo Portal G1 - Clique aqui para ver o vídeo!

'Destruíram uma família', diz mulher de cinegrafista atingido por rojão Arlita Andrade vive há 30 anos com Santiago Ilídio Andrade.

Funcionário da Band registrava protesto contra preço do transporte no Rio.

A mulher do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade, Arlita Andrade, fez um desabafo no domingo (9), em entrevista exclusiva à TV Globo, e disse que "falta amor" nas pessoas responsáveis por ferir gravemente seu marido, atingido por um rojão na cabeça quando registrava, na quinta-feira (6), uma manifestação contra o aumento da passagem de ônibus no Centro do Rio de Janeiro.

 Andrade ajudou a criar os três filhos de Arlita e juntos tiveram uma filha. Ela contou que o carinho que recebe da família tem ajudado a enfrentar os momentos de aflição. As declarações foram dadas poucas horas depois de ela ter visitado o marido no CTI do Hospital Souza Aguiar.

“Hoje [domingo], quando entrei, senti que ele não estava nem mais lá. Ele não estava lá. Eu fiquei pensando, eu tenho que botar para fora, tenho que mostrar que ele não pode estar indo embora em vão.”

A mulher do cinegrafista contou como soube que Santiago havia sido ferido.

“Deu 20h45 [de quinta-feira], eu liguei e não foi ele que atendeu. Eu falei: Santiago? Disseram: não, aqui é... falaram o nome do cinegrafista. Falei: onde está o meu marido? Ele falou: está no Souza Aguiar, ele levou uma bomba na cabeça e está em estado muito grave. Levei um susto e achei que não tinha entendido. Eu falei: ele foi fazer alguma matéria sobre alguém que levou uma bomba? A pessoa falou: não, foi ele mesmo", disse a mulher de Santiago.

Arlita viu as imagens que mostram o marido sendo atingido por um rojão e disse que tem recebido informações sobre a investigação policial.

 “Acho que esses rapazes que fizeram isso, eles não tiveram, talvez, mães que não deram os ensinamentos que dei para os meus filhos. Como é que a gente vai ter paz no mundo se a gente não ensina para os filhos da gente? Então, isso é uma coisa que me deixou muito triste porque ele não merecia, é uma pessoa muito boa. Ele procurava sempre ajudar todos”, disse.

Arlita disse ter visto a entrevista de Fábio Raposo, preso no domingo (9) após confirmar em depoimento à polícia que passou o rojão para outro homem responsável por acender o artefato em meio à manifestação.

 “Eu vi ele pedindo desculpa, mas acho que o que falta neles é o amor, o amor pelas pessoas, porque a gente não faz isso. Ele disse que foi sem intenção. Que seja, mas meu marido estava trabalhando, estava mostrando uma manifestação. Manifestação pode fazer, mas não precisa dessa violência. Perdoar? Meu marido está indo embora, eles destruíram uma familia. Uma família que era unida, muito unida mesmo. Os médicos disseram que o estado dele é grave, disseram de manhã que teriam desligado os aparelhos porque estavam somente aguardando ou milagre ou a morte cerebral”, lamentou Arlita Andrade.

De acordo com Arlita, Santiago fazia planos para a aposentadoria. "Ele tem 49 anos, então tinha muita coisa pela frente. Ele falou: quando me aposentar, você não vai mais trabalhar em creche, não. Você vai ficar comigo para a gente aproveitar a vida. O que mais me deixou triste é que ele estava fazendo trabalho para mostar para o mundo, ele não estava fazendo um trabalho para ele, ele estava fazendo trabalhando para mostar para o mundo e ele mesmo não vai ver", disse.

A mulher do cinegrafista fez um apelo para que, nas próximas manifestações, as pessoas que participam dos atos pensem mais nas famílias.

"Eu peço que essas pessoas não sejam violentas, que não façam isso. Isso não vai levar a nada. O nosso Brasil só vai ser mal visto, ninguém vai querer olhar depois para a nossa terra. Eu espero que esses rapazes pensem na mãe, pensem na família, que a família é tão importante. Meu marido está indo embora, podem ser outros, pode ter outra família que pode ser destruída com isso. Que eles façam uma coisa [manifestação] pacífica, porque só sendo pacífica a gente consegue as coisas. Não adianta essa violência toda. Meu marido é mais uma pessoa, mas não quero que o nome dele fique esquecido, porque ele fez muito mostrando tudo, mostrando as misérias, mostrando tudo que aconteceu no mundo, no Rio, nas tragédias, nos morros, nas manifestações. Ele fazia tudo com maior carinho, tanto que mesmo caindo a gente nota [nas imagens] que ele foi segurando a câmera. Meu marido está indo embora e não tem preço para isso. Eu queria o meu marido, junto com a minha família. Era uma família muito feliz”, finalizou Arlita Andrade.


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Divulgação: Mobilização Nacional dos Agentes de Saúde - MNAS
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Fonte: G1 e Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil