domingo, 15 de abril de 2012

Projeto que usa produto inovador receberá doação de milionária

Divulgação do Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil
Amélia Rodrigues não tem rede de esgotamento sanitário; os dejetos vão direto para o solo e, quando a fossa transborda, vazam para a superfície, oferecendo risco para a população

Projeto que promete limpar fossas, desenvolvido em caráter experimental em Amélia Rodrigues, foi um dos 20 em todo o mundo escolhidos para receber parte da arrecadação do leilão de joias milionário de Lily Safra, víúva do banqueiro Edmond Safra

Jorge Gauthier
jorge.souza@redebahia.com.br

“Chegou a pedra, chegou o pó!”, grita Josias Amorim Souza pelas ruas do bairro Serra em Amélia Rodrigues, na Região Metropolitana de Feira de Santana. Desde 2009, Josias distribui os produtos com mais 55 colegas pelas 8 mil casas da cidade. A comunidade já está viciada. “Pego na mão dele todo mês. Quando demora fico logo nervosa, querendo mais”, conta a dona de casa Maria Luiza de Santana, 59.

Mas, calma. Essa matéria não é para falar do tráfico de drogas. A pedra e o pó em questão são o biotablete e o granulado WT. Os produtos estão sendo usados experimentalmente na cidade baiana para reduzir a produção de resíduos descartados nas fossas sanitárias da cidade.

À base de bactérias ‘do bem’ os produtos têm a função de consumir as bactérias ruins, produzidas pelo descarte de dejetos. Na cidade não há rede de esgoto e os resíduos sanitários são descartados em fossas - caixas subterrâneas que acumulam os dejetos e, quando cheias, transbordam fazendo com que a água suja fique exposta na superfície.

Josias, agente comunitário de saúde, explica que a pastilha (colocada no ralo do chuveiro) e o pó (colocado no vaso sanitário), ao entrarem em contato com a água, vão limpando as bactérias até a fossa. “As bactérias boas vão comendo as bactérias ruins. Com isso, o fedor do esgoto somem e as fossas não ficam tão cheias”, conta Josias.

Pedra que promete limpar fossas é distribuída desde 2009 na cidade; moradores dizem que cheiro diminuiu

Desenvolvido pela empresa de biotecnologia SuperBAC, o uso é experimental na Bahia, apesar de, segundo a empresa, já ter sido usado em indústrias no Sul do Brasil.

Benefícios
Graças ao projeto, Amélia Rodrigues será o único município brasileiro que receberá dinheiro de um milionário leilão promovido pela socialite gaúcha Lily Safra (ver acima), como adiantou a coluna VIP do CORREIO no dia 4 deste mês. Lily leiloará 70 joias de seu acervo em maio e reverterá a verba para 20 instituições no mundo, entre elas o projeto Parceiros da Natureza, idealizado pela SuperBAC.

O prefeito Antônio Paim viu no projeto a possibilidade de tratar o esgoto. “Não temos rede de saneamento básico e os dejetos estão sendo descartados desde a fundação da cidade em fossas colocadas nos fundos das casas. Com esse projeto, estamos conseguindo limpar os dejetos antes de eles chegarem no solo”, diz.

Moradores
No início do projeto, houve desconfiança. “Mensalmente a empresa manda 8 mil pastilha e frascos com o pó para distribuirmos. No início houve uma resistência das pessoas em saber que tipo de produto estava sendo usado, mas com os resultados positivos isso se tornou mais fácil”, explicou Ariane Costa, coordenadora da vigilância epidemiológica da cidade.

Elisangela se sente mais segura para deixar Sara e Laura na rua

A agente comunitária Jaildes Barroso, 42, venceu o preconceito com o produto. “No começo a gente não entendia direito como funcionava , mas depois que fomos percebendo que o esgoto foi perdendo o fedor, passamos a confiar”, diz.
Mas, nem todas as casas estão usando os produtos. Em algumas ruas, há fétidos esgotos a céu aberto. “Não sei o que têm dentro desse negócio. Fico com medo e prefiro não usar”, pondera a dona de casa Ana Barros, que mora na rua da Tenda. O prefeito informou que há projeto para uma rede de esgotamento sanitário.


Melhora na saúde
Além de melhorar o cheiro do esgoto e diminuir o volume de dejetos nas fossas, a pastilha SuperBAC trouxe benefícios para a saúde da cidade, segundo informações da titular da Secretaria de Saúde do município, Graça Passos. “Desde 2009 houve uma redução dos casos de diarreia, provocados, principalmente, pelo direcionamento inadequado dos dejetos. Além disso, como há uma limpeza maior dos resíduos dentro das fossas que são eliminados parcialmente pelas bactérias boas, o solo do município acaba ficando mais limpo”, explica. (Veja números no quadro abaixo)

A dona de casa Elisângela Souza Silva, grávida de um menino e mãe de duas meninas de 4 e 9 anos, acredita que o uso da pastilha colabora para que seus filhos não fiquem doentes. “O incômodo do fedor da fossa é horrível e também quando a fossa transborda fica aquela água suja, mas como tem a pastilha o esgoto fica mais limpo e as meninas não ficam em risco de pisar e ficar doentes”, ressalta. Passos destaca ainda que o uso do produto refletiu no bem estar dos moradores. “O odor das fossas diminuiu e com isso as pessoas se sentem melhor”.

Além de tudo, a ação do produto tem trazido outro benefício, que agrada principalmente as mulheres: as baratas sumiram. “Com o esgoto tem menos bactérias as baratas desapareceram. Os ratos e muriçocas, que gostam da sujeira e do fedor, também foram expulsos daqui de Amélia Rodrigues”, comemora a merendeira Eugênia dos Santos de Pinho, 60, que coloca os produtos na sua casa desde o início do projeto.


Produto é 100% natural, diz empresa
A empresa SuperBAC – BioTechnology Solutions foi fundada em 1995 com foco em desenvolver projetos de biotecnologia. A empresa tem três fábricas e centros de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, Estados Unidos e Colômbia. Em seu site, a empresa explica que o projeto Parceiro da Natureza consiste na utilização do BioTab, que seria produzida de forma 100% natural, “desenvolvida a partir de microorganismos do bem”.

A empresa fornece gratuitamente 8 mil kits com os produtos mensalmente para o município de Amélia Rodrigues, que tem cerca de 25 mil habitantes. Em contrapartida, a prefeitura oferece o trabalho dos agentes de saúde que colocam os produtos mensalmente nas casas. Questionado sobre o impacto ambiental do experimento o prefeito informou que a equipe de saúde do município procurou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Consultamos o site da Anvisa e vimos que o produto é liberado por eles”. A Anvisa informou, em nota, que a SuperBAC teve o registro do tablete e do granulado WT cancelados em agosto de 2011. Porém, segundo a nota, a empresa pode usar os lotes que já foram produzidos antes do cancelamento. A Anvisa informou ainda que há um registro liberado apenas para teste – somente da pastilha. A empresa foi procurada para comentar detalhes técnicos do produto, mas não respondeu a reportagem.

Divulgação: Mobilização Nacional dos Agentes de Saúde - MNAS
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Fonte na web: www.correio24horas.com.br