quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

No marco do Dia de Mundial de Combate à Aids, campanha lutará contra preconceito

Divulgação do Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil

Além de reivindicar tratamento adequado e seu fornecimento gratuito pelo governo, as pessoas com HIV/Aids, no Brasil, têm ainda um outro desafio, tão importante quanto: o preconceito social. Para fazer frente ao problema, a ONG Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+) realizará campanha de sensibilização na cidade de Recife, região Nordeste, no marco do Dia Mundial de Luta contra a Aids, 1º de dezembro.

De acordo com o coordenador geral do GTP+, Wladimir Reis, o estigma tem feito com que soropositivos deixem de buscar tratamento, postura que pode levar à morte. Somente em Recife, neste ano, três pessoas faleceram por conta disso, afirmou.

“A gente passou a perceber isso em 2009. Tanto local como nacionalmente, as pessoas morrem devido ao preconceito. Ela se deixa ir a óbito, porque não vai fazer o tratamento adequadamente. Algumas pegam medicamentos, mas não tomam, deixam guardados, em casa”, revela.
Com o mote “Como você gostaria de ser tratado se tivesse HIV?” e a mensagem “Trate as pessoas do jeito que você gostaria de ser tratado”, a ações da campanha terão início logo pela manhã, no Hospital Correia Picanço, considerado referência no tratamento da Aids no estado de Pernambuco. Lá, o grupo de teatro Turma da Prevenção,comLampião e Maria Bonita, fará sensibilização e distribuirá material informativo.
Simultaneamente, voluntários do GTP+, que fazem parte do projeto Espaço Posithivo, estarão em frente à instituição, no Centro do Recife, fazendo panfletagem sobre a campanha.

Durante o horário do almoço, no empreendimento Cozinha Solidária, no qual trabalham algumas pessoas com HIV, os clientes receberão kits de prevenção, com preservativos, gel lubrificante e panfletos informativos. Wladimir explica que a ideia é falar contra o preconceito, fazendo link com o fato de que alguns dos participantes da Cozinha Solidária têm HIV, mas são iguais às demais pessoas, tanto que não é possível aos clientes identificá-los.

Pela noite, educadores do grupo Mercadores de Ilusão e o grupo de teatro Turma da Prevenção farão ação com jovens homossexuais, distribuindo kits de prevenção e conversando sobre o trato às pessoas com HIV.
A campanha seguirá ainda por todo o mês de dezembro. Nos próximos dias nove e 12, serão realizados dois seminários voltados para os profissionais do sexo, que irão discutir sobre doenças sexualmente transmissíveis e HIV/AIDS, sexo seguro e direitos previdenciários. Já às quartas-feiras, o GTP+ oferecerá atendimento jurídico à população com HIV/AIDs, das 9h às 12h.

Na opinião do ativista, ainda é preciso avançar muito na luta contra o estigma devido ao sofrimento que causa às pessoas doentes. “A população, quando identifica uma pessoa com Aids, aponta na rua, fala. Muitas vezes até na família e nos amigos se determina um estigma muito forte e se afastam da pessoa no momento em que ela mais precisa, pois se descobre doente, fragilizada, passa por situações de baixa auto-estima e mudança de fisionomia”, conta.

Ele considera que a origem de tanto preconceito pode ser explicada a partir da forma de contágio.“O estigma aparece mais fortemente, no caso da Aids, porque é uma doença que se pega através do sexo, e a gente tem dificuldade em falar de vivência sexual”, pontua.

Outro fator que contribuiria com o estigma seria o fato de a epidemia estar concentrada em grupos de maior vulnerabilidade, que já enfrentam bastante preconceito –homossexuais, profissionais do sexo e usuários de drogas.

Retrocesso
Apesar do discurso corrente de que o Brasil é referência no tratamento da Aids, organizações denunciam posturas discriminatórias por parte do próprio Ministério da Saúde. Em nota, a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) critica redução drástica do orçamento destinado a ações do Dia Mundial de Luta contra a Aids – de 6,5 milhões de reais, passou a 1,5 milhão.
Além disso, o ministério decidiu submeter as ações à Frente Parlamentar da Família, dirigida por parlamentares evangélicos. A Abia questiona por que não envolver a Frente Parlamentar de Aids.
Em nível mundial, o cenário também começa a se desenhar desfavorável. Na semana passada, o Fundo Global contra Aids, Malária e Tuberculose anunciou corte de financiamentos até 2014. O Fundo, composto por capital proveniente de doações, é responsável por um quarto do financiamento mundial do combate à Aids. De 2002 até hoje, já destinou 22,4 bilhões de dólares para 150 países em programas de prevenção, tratamento e assistência contra as três doenças.

Divulgação: Mobilização Nacional dos Agentes de Saúde - MNAS
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Fonte na web: correiodobrasil.com.br