quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Com o maior índice de dengue do Rio, Rocinha receberá agentes

Vista da favela em São Conrado: 2,8% dos moradores já tiveram dengue este ano
MARCOS TRISTÃO / AGÊNCIA O GLOBO
Divulgação do Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil

Desde janeiro, foram registrados 1.979 casos na comunidade, ou seja, 2,8% da população local



RIO - Enquanto assistem à apreensão de armas e granadas do tráfico pelas forças de segurança, moradores da Rocinha preparam-se para enfrentar uma nova guerra — contra a dengue, que se aproxima com o verão e ameaça a vida de uma legião de inocentes. Dados da Secretaria municipal de Saúde mostram que a favela tem, proporcionalmente à população, o maior índice de casos da doença registrados este ano na cidade. Bandidos impediam os agentes de saúde de entrar nas casas.
De janeiro até o dia 12 deste mês, véspera da ocupação da comunidade, foram registrados 1.979 casos na XXVII Região Administrativa (Rocinha), ou seja, 2,8% da população local, estimada em 70.600 habitantes. Um número cinco vezes maior que a incidência verificada na vizinha VI Região Administrativa, que abrange os bairros de Ipanema, Leblon, Lagoa, Jardim Botânico, Gávea, Vidigal e São Conrado. Ali foram registrados 1.008 casos, numa população de 178.374 pessoas (0,56%). O índice da Rocinha é quase três vezes maior que o registrado em toda a cidade (1,1%). É maior também que os das regiões mais castigadas pela dengue, como Santa Cruz (com 2,2% dos 358.475 moradores infectados), Campo Grande (1,43% dos 570.703 habitantes) e Jacarepaguá (1,15% dos 528.236 moradores).
Agentes se negavam a atuar na Rocinha
Para reduzir os números da doença, uma tropa de agentes de saúde desembarcará na sexta-feira na Rocinha e fará um pente-fino em busca de focos do Aedes aegypti. Segundo o subsecretário municipal de Atenção Primária, Vigilância e Promoção da Saúde, Daniel Soranz, a violência foi a principal causa para o alto número de casos de dengue na Rocinha.
— Havia uma dificuldade enorme de fixar agentes na comunidade porque, como eles não eram moradores, não podiam entrar nas casas, o tráfico não permitia. Muitos passaram a se recusar a trabalhar no local. Foi difícil até mesmo fazer o Lira (índice de infestação pelo mosquito, que serve para o planejamento de ações). Agora, com a ocupação, vamos fazer um pente-fino, com agentes de outras regiões administrativas, num grande mutirão para atacar os focos — afirmou.
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Segundo Daniel Soranz, a secretaria implantará ainda este mês na Rocinha um dos 30 polos de tratamento de dengue anunciados pela prefeitura.
O combate ao mosquito se torna ainda mais urgente diante de prognósticos como o do secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, que prevê uma grave epidemia no estado em 2012. Para o infectologista Alberto Chebabo, depois da polícia, a ocupação na Rocinha precisa ser feita por agentes de saúde:
— Só pela quantidade de lixo que está sendo retirada agora, é possível imaginar a situação da comunidade. São muitos locais que servem de criadouros. Mas ainda é possível fazer alguma coisa antes do verão. Por isso é tão importante a presença neste momento de agentes de saúde no local.
Cidade de Deus teve melhora após UPP
Ao comparar a situação da Rocinha com os vizinhos Gávea (177 casos para 20.922 habitantes), São Conrado (50 para 9.854) e Vidigal (113 para 15.643), o infectologista diz que a alta incidência na favela não significa que toda a região poderá ser atingida pela doença:
— A infestação ali não atinge as áreas vizinhas, até pela geografia da comunidade, uma favela vertical, com muitos becos, muitos pontos aos quais o acesso é difícil, poucas áreas de circulação. Além disso, a capacidade de voo do mosquito é limitada.
Durante a epidemia de 2008, a Cidade de Deus viveu um drama parecido com o da Rocinha. Com a comunidade de Jacarepaguá sob o domínio do tráfico, 5,36% dos seus 37.423 moradores contraíram a doença, uma incidência muito superior à de toda a capital. Com uma UPP implantada desde fevereiro de 2009, a situação na Cidade de Deus melhorou muito. Até o dia 12 de novembro passado, a doença atingiu este ano 0,63% dos moradores.
— A Rocinha tem hoje os piores índices de saúde do município, muito em razão da violência — disse Soranz.
Segundo o subsecretário, o tráfico também impedia o funcionamento normal de programas como o Clínica da Família, afugentando até mesmo os médicos.
Incidência de tuberculose é a maior do país
A Rocinha ostenta ainda um outro triste título: é a campeã de tuberculose no país. A taxa de incidência da doença na comunidade é de 300 por cem mil habitantes, enquanto que a de toda a capital é de 90 por cem mil e a do país, 33 por cem mil. Entre as causas do problema estão a pobreza, a geografia da favela e também a violência, segundo o médico Alexandre Milagres, da Fundação Ataulpho de Paiva (responsável pela produção de vacinas contra a tuberculose):
— A falta de aeração e a superpopulação são fatores predominantes, mas o estresse causado pela violência, que derruba as defesas do organismo, e o consumo de drogas também são fatores importantes. Onde se produzem mais drogas, consome-se mais e se adoece mais. Um exemplo disso é o Sul, que é onde mais se produzem cigarros, mais se consome o produto e também onde mais se adoece de câncer de pulmão no país.
Para combater a tuberculose, o município espera investir em infraestrutura, abrindo áreas de ventilação na comunidade. Mas, segundo o subsecretário Daniel Soranz, com programas de atendimento à família, a prefeitura está conseguindo combater a reincidência da doença:
— Este ano completamos 100% de cobertura do Programa Saúde da Família.
Outros problemas são os índices de gestantes da favela que nunca fizeram pré-natal (35%) e de óbitos de crianças de 7 a 28 dias por mil nascidos vivos (4,01).

Divulgação: Mobilização Nacional dos Agentes de Saúde - MNAS
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Fonte na web: oglobo.globo.com